Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


domingo, 27 de fevereiro de 2011

escrever uma história sobre o mar

Essa singela e despretensiosa combinação de palavras, escrever uma história sobre o mar, conduziu até este posttexto crucial na semana que passou, e que teve presença marcante em minha defesa. Que poético, pensar em uma história sobre o mar! Pois o mar é hoje, ontem, sempre; o mar tem vida própria, regido pelos movimentos tectônicos do planeta, a variar de nível segundo o clima, causando estragos mais em função do homem que da natureza, quem sabe. Seria essa a história possível sobre o mar? "Oh, mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!" O mar na história da humanidade. Não resisto e inauguro um novo marcador para o blog, mar, a ser considerado inclusive para posts anteriores em que o mar pontificou.


[imagem obtida aqui]

2 comentários:

Luiz disse...

Seu post me fez lembrar de duas coisas. A primeira é a relação da Clarice com o mar..."Banhos de mar", por exemplo.A segunda, foi de um filme que nosso amigo Zé Alberto me indicou, chamado Os signos, de Eugène Green, porque parte dele se passa com o mar ao fundo...Na verdade, me foi indicado o cineasta e eu estou explorando o universo dele. O mar tem muito a dizer para todos nós.

P.s. Fiquei feliz de saber sobre sua tarde mais que merecida, na companhia de gente amiga, com ouvidos abertos e mãos estendidas: é bom viver assim!!!

Mariana disse...

O mar é o horizonte em que nossa substância se dissolve, ele nos desloca de nós mesmos. É uma forma de saúde, nesse sentido.

Tarde agradabilíssima, trouxe comigo dois filmes, deixei dois na casa do meu amigo, e assim vamos nutrindo a vida pela reciprocidade.