Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


domingo, 6 de fevereiro de 2011

mar à vista da ilha

Imagem por Reinaldo Pellegrino (aqui). Todos os direitos reservados.

Ontem fui à praia, final da tarde, Barra da Tijuca, quando as pessoas já estavam voltando. Cheguei por volta das 6 da tarde, sol ainda alto. É a primeira vez que consigo ir à praia este ano, e teve  a força de um ritual de desintoxicação. O pôr-do-sol foi um capítulo à parte, de tão belo, aquela bola de fogo baixando aos poucos no céu, para enfim desaparecer. Tirei fotos com meu celular, mas cheguei em casa e descobri que não tinha a conexão para passá-las para o computador. Então tomei a bela imagem acima de empréstimo, cujo ângulo equivale aproximadamente ao local em que me encontrava, embora quisesse mesmo postar as minhas. Talvez ainda consiga. As pessoas simplesmente pararam para olhar o pôr-do-sol. Já então ventava frio, recolhi minhas coisas e tomei o rumo de casa. Mas antes, quando ainda era dia, entrei no mar, de um jeito muito próprio, que é aos poucos, sondando a profundidade e a força das ondas. Havia correnteza, avancei o suficiente para sentir aquela água boa batendo em mim. Há poucas sensações que se equiparam a entrar no mar numa praia aprazível, de preferência com pouca gente e a força do sol já se atenuando. Pois o que quero mesmo é a força do mar. 

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