Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


domingo, 24 de abril de 2011

tentativa de fotografar a chuva



 Chove forte nesta tarde de domingo de Páscoa no Rio de Janeiro

2 comentários:

Franck disse...

Esta é a paisagem de sua janela? Aí chove, aqui nublado, mas chove no meu coração angustiado após tanto céu azul, dunas, mar, um moço do sul que cruza os céus neste domingo e me deixou com a sensação de areia nos olhos, peito sufocando e a tristeza parecendo que não vai passar...
Bjs, estava com saudade de sua 'casa', mas voltei para visitá-la hj pq sei que vc entende minha tristeza!

Mariana disse...

Oi, Franck, você anda mesmo sumido, pensei que nem gostasse mais de visitar esta casa...

É a paisagem de uma janela que estou prestes a abandonar, por isso também quis fotografar, já que em breve me mudo, aqui perto mesmo (Jacarepaguá, mas outro bairro, Pechincha). Então é um misto de saudade da paisagem bonita que estou deixando (pelo menos eu gosto, moro em frente a uma velha fazenda abandonada, que dizem ter pertencido ao Barão da Taquara, mas a gente não consegue entrar para visitar, uma pena, os herdeiros não franqueiam a visita) e amor pela chuva mesmo. A chuva tem estranhos poderes sobre mim, me acalma. E quis tentar registrá-la, a chuva, embora não seja fácil, pois as imagens ficam meio foscas, o que é diferente de toscas, diga-se. Mas algum êxito tive.

Enfim, que me estendo... mas é uma forma de tentar te distrair da tristeza, que eu entendo, sei lá, tenho esse dom de entender. O moço se foi? Uma dose de Caio Fernando Abreu na saudade!

Olha, quando me mudar, vou te mandar meu endereço, para quando vc vir ao Rio me visitar. Aí vc aproveita e traz o seu livro, ou manda antes, pelo correio. Preciso combinar isso com você, mas só depois da mudança, que, espero, não demore muito.

Beijos!!!