Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

bem apessoado

Fernando Pessoa aos 16 anos. Imagem daqui.

2 comentários:

Marcantonio disse...

E triste... Ou é um olhar de estranha piedade? Nunca será demais louvar a oportuna coincidência desse sobrenome.

Mariana disse...

Triste sim, melancólico, diria, mas de todo modo enigmático. Piedade por si? Não sei. Fernando Pessoa desafia a todos nós, com sua estranha abnegação e dedicação completa à poesia.

A coincidência desse sobrenome creio que não escapou a ele próprio, e bem cedo, me parece.