Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

a esperança possível

Abrindo as principais páginas de notícias, constato que 2012 é exatamente 2011 com nome (ou número) trocado. Tudo igual, trivial, banal, as notícias de sempre fazendo lembrar que o mundo gira em torno de algo bem diferente do sentimento de esperança ― gira em torno dos números. E hoje ainda são 03 de janeiro. Há dois dias o sentimento de renovação e mudança atingia seu ápice ― publicitário, principalmente. Como tal, tratava-se mais uma vez de uma renovação epidérmica, bem condizente com o tempo que estamos vivendo, à base de botox e photoshop. A esse propósito, não posso deixar de registrar as inusitadas imagens de um fotógrafo inventivo, que me fez pensar na esperança possível.
Fotografia por Aimishboy (aqui)

2 comentários:

Jamil P. disse...

não é igual não, em 2012 o mundo vai acabar, no mínimo.

Mariana disse...

:)