Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

dark side of the lens: "this is where my heart beats hardest"


detalhes aqui

4 comentários:

sonia disse...

Estava pensando exatamente o título de seu outro video "na próxima encarnação quero vir surfista", mas acrescentaria uma alternativa, se fosse possivel: tocar piano como Nelson Freire!

Mariana disse...

Hoje, no estúdio i, ouvi um trocadilho com "na próxima reencadernação". O que nos tornaria mais ou menos livros que se reeditam. Mas o melhor mesmo foi um poema do Poe que não conhecia, belíssimo, "A dream within a dream":


Take this kiss upon the brow!
And, in parting from you now,
Thus much let me avow —
You are not wrong, who deem
That my days have been a dream;
Yet if hope has flown away
In a night, or in a day,
In a vision, or in none,
Is it therefore the less gone?
All that we see or seem
Is but a dream within a dream.

I stand amid the roar
Of a surf-tormented shore,
And I hold within my hand
Grains of the golden sand —
How few! yet how they creep
Through my fingers to the deep,
While I weep — while I weep!
O God! Can I not grasp
Them with a tighter clasp?
O God! can I not save
One from the pitiless wave?
Is all that we see or seem
But a dream within a dream?

http://www.poetryfoundation.org/poem/237388

sonia disse...

Que belíssimo esse poema. Ele tem um ritmo todo próprio ao escrever. Parece que todos os poemas seguem o ritmo de O Corvo, que me impressionou tanto a ponto de eu perder o sono!
Esse que publicou é tão belo e tão trágico, como tudo o que ele escreve. Deve ter sido uma alma atormentada (mas profunda)!

Mariana disse...

Sônia, por dever do ofício eu deveria conhecer mais do Poe. Li as "Histórias Extraordinárias", depois "O Corvo", e sei que ele pertenceu ao ultrarromantismo (talvez mais por destino que por convicção). De todo modo é um poeta/escritor imprescindível à compreensão de certos processos e rumos da literatura moderna.

Isso que você fala do ritmo, ele tem um ensaio famoso sobre "O Corvo", intitulado "Filosofia da composição", disponível online em vários links, em que ele discorre sobre a composição do trágico poema, como você diz, o elemento de cálculo por detrás do irracional. Mas se você quiser ficar apenas com a beleza e o efeito que o poema teve sobre você, seria o caso de não ler este texto do Poe. Há um ótimo link, sobre as traduções de "O corvo":

http://naogostodeplagio.blogspot.com.br/2011/05/ivo-barroso-o-corvo-e-suas-traducoes.html

Enfim, obrigada pelo seu comentário, pois me estimulou a ler/estudar mais este maravilhoso poeta e escritor.

Beijo!