Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

trilha sonora de "dead man", por neil young

5 comentários:

Jamil P. disse...

essa trilha me lembra bastante de uma outra, do ry cooder, em 'paris texas', que gosto até mais, inclusive quanto ao filme em si;

a julgar pelos últimos posts, você tem mostrado um lado 'rockeira' que eu desconhecia e que até me surpreendeu... ;)

Mariana disse...

Desde os 18 anos, quando descobri o rock (mais propriamente o progressivo), virou uma espécie de DNA musical. Gosto de ouvir, é um estilo com uma sonoridade incrível. E tem também a questão da rebeldia, associada ao gênero.

Ainda não vi "Paris Texas", vou aproveitar sua sugestão e colocar na lista :)

Jamil P. disse...

também gosto do rock progressivo dos anos 60 e 70, embora às vezes ele me canse, me soe entediante, por, sei lá, achar que falte talvez mais simplicidade nas melodias, mais rebeldia nas letras, menos sofisticação nos arranjos, aquela coisa selvagem, direta, agressiva, irreverente, etc, que vemos no rockabilly ou no punk-rock por exemplo; em alguns momentos tenho a impressão de que são músicos de rock mas que gostariam de ser de música clássica... não tenho uma banda preferida, mas sou fã de yes, emerson, lake & palmer, genesis, jethro tull, pink floyd, e por aí vai; todas bandas bem conhecidas e representativas do gênero...
pra falar a verdade acho que gosto mais de krautrock, que surgiu mais ou menos na mesma época, na alemanha; é totalmente instrumental, etéreo, psicodélico, viajante... provavelmente você deve conhecer; há vários filmes bastante conhecidos do werner herzog com trilha sonora do popol vuh, que foi uma das bandas mais importantes e das que gosto mais
mas enfim, gosto de ouvir de tudo, tudo é questão de momento e do estado de espírito

ah, sim, coloque paris, texas na sua lista, bem como os da trilogia road movie, se já não os assistiu, vale demais a pena

Mariana disse...

Tenho a mesma sensação em relação ao progressivo, essa perda do selvagem, e não é minha música habitual. Mas sem dúvida foi o que me iniciou no rock, a galera com quem eu andava ouvia isso, e eu me apaixonei. Tem uma coisa aí de trajetória pessoal, o momento que eu vivia pedia aquilo, e eu gostava muito de ouvir todas essas bandas que você elenca.

Por outro lado, sinto-me ligada a um rock mais sonoro (o que me atrai em música, qualquer música, é a sonoridade, letra/voz e melodia compondo uma coisa única). Nestes solos do Neil Young, me tari por exemplo os riffs pesados e sujos, intercalados pelo quase silêncio. Aprecio muito o som da guitarra, a bateria também. Esse gênero, Krautrock, eu não conheço. Aprecio o rock que vi em "Asas do Desejo", mas não sei se é a mesma coisa. Talvez passasse mesmo a gostar.

Como disse, o que me trai na música é a sonoridade. Acho que só não gosto de jazz.

Mariana disse...

PS: "só não gosto de jazz" dentro do que estamos chamando de "música". Para dirimir eventuais equívocos.