Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

três notas sobre o facebook

  • 1º lugar geral na UFMG e na Ufes não usa Facebook e Twitter.
  • Facebook perde 3 mi de adolescentes entre 2011 e 2014 nos EUA, diz estudo.
  • Ontem, no ônibus em silêncio, com pessoas mais ou menos cansadas e voltadas para si mesmas (era fim de tarde), entraram três adolescentes (duas meninas e um garoto) “causando”, falando alto e exibindo suas vidas virtuais para o ônibus todo (que no caso era um micro-ônibus) ouvir, e era um tal de “face” daqui, “face” dali, “face” de lá, que mal se conseguia perceber o que eles diziam além da gagueira do puro exibicionismo, que no entanto os passageiros eram obrigados a ouvir. O mais interessante era o modo como o tempo todo um cortava a fala do outro, não dava tempo de articular, pois os turnos da fala se atropelavam. E com uma luz de empréstimo iam dizendo que conheciam (ou eram “amigos” de) alguém que conhecia alguém, no caso ninguém que parece alguém, uma celeb qualquer, Isis Valverde, Xuxa, o namorado da ex-Malhação. Fora as estatísticas, quantos amigos fulano, sicrano ou beltrano tinham no facebook. Um rapaz, que tentava ler, levantou-se e procurou um lugar mais atrás, no fundo do ônibus. E, já que eu estava ali, presenciando aquilo, fiquei pensando o que esses mesmos três adolescentes falariam entre si se vivessem na era pré-facebook, qual seria o vazio que os ocuparia projetando uma luz de empréstimo.

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