Invariavelmente
a banda que anima o barzinho da esquina toca
legião urbana e capital inicial. O país não sai dos anos 80, e tudo indica que
quer retroceder mais. “Nas favelas, no senado / sujeira pra todo lado.” Como assim,
nivelar as favelas ao senado? O país não sai desse ponto, de Jânio Quadros e
sua vassourinha pra varrer a corrupção. O problema não é a corrupção (ninguém parece ter ouvido falar em transparência internacional), mas a distribuição de renda.
Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.