Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


domingo, 13 de outubro de 2019

Breaking Bad - “El Camino”

Ontem assisti “El Camino”, filme sobre a trajetória de Jesse Pinkman após escapar milagrosamente do inferno em que a parceria com Mr. White o lançou. O filme é apenas mediano, mas imperdível para os saudosos da série. Jesse está quase irreconhecível, e isso o ajuda em sua fuga desesperada. Mas o que me comoveu mesmo foi o final. Também eu queria poder ter a chance de começar do zero, em algum lugar remoto, de preferência longe da civilização. Nada mais irônico que um Alaska para quem se desgraçou junto a um ser chamado “Mr. White”.