Ontem
assisti “El Camino”, filme sobre a trajetória de Jesse Pinkman após escapar
milagrosamente do inferno em que a parceria com Mr. White o lançou. O filme é
apenas mediano, mas imperdível para os saudosos da série. Jesse está quase
irreconhecível, e isso o ajuda em sua fuga desesperada. Mas o que me comoveu
mesmo foi o final. Também eu queria poder ter a chance de começar do zero, em
algum lugar remoto, de preferência longe da civilização. Nada mais irônico que
um Alaska para quem se desgraçou junto a um ser chamado “Mr. White”.
Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.