Precisei trocar o número do telefone celular, tamanho
o assédio de empresas de variada natureza. Essa noite sonhei que uma prima
muito querida recebia ligações de meu ex-número, em outro DDD, e que na
verdade era alguém de um presídio ligando, uma situação potencialmente perigosa. Fiquei perturbada, constrangida, não
sabia o que dizer ou fazer. Mas privacidade é algo que não temos mais. Mesmo trocando de
número, um “número desconhecido” acaba de me ligar, agora, sábado, 23h, em um momento wild wild life.
Nunca atendo a essas ligações, em que aparece “número desconhecido” no visor, jamais,
nem, via de regra, ligações de números não registrados. Coloquei meu
celular no silencioso, estado
do qual ele só sai para a função despertador ou em situações muito particulares.
Segundo relatos próximos, já estamos n’O Conto de Aia. Ainda não assisti à série, nem me animei a ler o
livro. Estou me refazendo de Joker,
com a certeza de quem ri por último ri melhor.
Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.
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