Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


domingo, 8 de setembro de 2019

o que fazer?

As pessoas perguntam, se perguntam, o que fazer diante do bolsonarismo. Chamar de fascismo não adianta. Diante de suas demonstrações mais recentes, como esta, tem-se noção do grotesco a que chegamos. Mas a pergunta continua, incômoda. O que fazer? Interlocutores próximos e lúcidos dizem que ainda vai piorar muito antes de melhorar. Não adianta se descabelar diante das falas criminosas do ser que ocupa atualmente a presidência da república. O brasileiro no fundo é assim: não tolera mulheres feias, gosta de posturas autoritárias, odeia com todas as suas forças o PT, é racista, deseja o extermínio dos indígenas, não suporta o beijo gay, bateu panelas para Dilma e agora bate palmas para o capitão. Então, de novo a pergunta: o que fazer? À sombra do bolsonarismo explodem os microfascismos. O bolsonarismo é o precedente de que muitos precisavam para cometer seus pequenos ou grandes crimes, abusos de poder e de autoridade. Está posto e legitimado por uma sociedade cujas instituições se encontram em frangalhos. Esse o objetivo, acabar com todas as possibilidades da via republicana. O que fazer? Não ser cúmplice já é alguma coisa. No mais, jamais perdoarei os que apoiaram o impeachment de Dilma Roussef. Foi lá que tudo começou.