— Laerte Coutinho (@LaerteCoutinho1) 21 de junho de 2016
Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.
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quarta-feira, 22 de junho de 2016
sábado, 18 de junho de 2016
cidadão decreta estado de calamidade para não pagar suas contas - o sensacionalista
Em resposta ao decreto emitido pelo
governador interino do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, onde ele coloca o
Rio de Janeiro em estado de calamidade pública, um cidadão acaba de decretar
estado de calamidade privada e assume que não poderá honrar com seus
compromissos e pagar suas contas e dívidas. O cidadão, que não quis se
identificar, comunicou aos bancos e aos prestadores de serviço que não tem
dinheiro para pagar as despesas do mês e que está aguardando um aporte
financeiro do governo para poder honrar suas dívidas. Outros cidadãos estão
seguindo o exemplo e também estão decretando estado de calamidade privada, e
aguardam também um jantar com Temer para resolverem suas vidas. (daqui)
terça-feira, 14 de junho de 2016
sexta-feira, 27 de maio de 2016
ministério da cultura do estupro (joão paulo cuenca)
No dia em que
virou notícia o caso de uma menor de idade dopada e estuprada por 30 homens,
crime exposto em vídeo com risadas e piadas na internet, foi recebido pelo
ministro Golpista da Educação e pelo ministro Biônico da Cultura um ator conhecido, entre outras coisas, por ter
confessado o estupro de uma mãe de santo na TV – depois disse que aquilo era
parte do seu show de stand up, apenas uma piada. Kkkkk.
Ficcional ou
não, o relato de estupro foi recebido com aplausos e gargalhadas no programa do
mesmo comediante que comentou a gravidez de uma cantora dizendo que
"comeria ela e o bebê". O apresentador também disse, num show de
stand up, que mulher feia deveria ver estupro como "oportunidade" e
não "crime": "Homem que fez isso não merece cadeia, merece um
abraço". Defendeu-se dizendo que, claro, aquilo era apenas uma piada.
Kkkkk.
Os homens que
participaram desse estupro coletivo no Rio de Janeiro foram os que violaram a
menina, os que a filmaram, os que compartilharam esse vídeo e os que fizeram
comentários e piadas na internet sobre as imagens publicadas. Nenhum deles foi
capaz de questionar o crime hediondo. Nenhum deles sentiu raiva, nojo, repulsa.
Nenhum deles brigou para salvar a garota. Não saiu porrada. Nenhum deles foi a
exceção: eles são a regra. No vídeo há gargalhadas. Em redes sociais, riram da
mulher desacordada e sangrando assim: Kkkkk. Todos eles também devem achar as
piadas de Alexandre Frota e Rafinha Bastos sobre estupro muito engraçadas.
Kkkkk.
*
Os números
oficiais afirmam que uma mulher é estuprada no Brasil a cada 11 minutos. Como o
crime é o mais subnotificado de todos, acredita-se que apenas entre 10% a 35%
registrem queixa à polícia. Conhecendo nossa polícia, faz sentido. Estudos do
Ipea apontam justamente para o pior cenário: 476 mil casos de estupro em 2014
no Brasil, cerca de um estupro por minuto. Segundo pesquisa Datafolha, 90% das
brasileiras têm medo de ser vítima de agressão sexual. Faz sentido. Enquanto
você leu os parágrafos acima, duas brasileiras devem ter sido estupradas.
O apelido do
criminoso que divulgou o vídeo desse estupro é Michel Brasil. Faz sentido.
Nesse país machista, autoritário, patriarcal e violento, onde culpar a vítima é
regra e a impunidade de gente como ele está garantida, ele está em casa. Não só ele. Nós. Todos os homens
somos responsáveis pela manutenção da violência contra a mulher. Não precisamos
atacá-las fisicamente ou fazer piadas misóginas naturalizando violência para
isso. Ao negar sua voz, ao tratá-la como nossa propriedade, ao objetificar sua
existência, ao sermos os prepotentes narcisistas perversos e opressores que
costumamos ser: o problema é nosso, a culpa também.
Só ficar
consternado e escrever textinho oportunista pra ficar bem na fita não adianta.
Existe um abismo de empatia que precisa ser atravessado – e isso é uma batalha
diária que precisamos travar contra nós mesmos, contra nossa própria covardia e
privilégios de gênero. Do contrário, nossas atitudes e palavras em momentos
como esse terão a mesma substância de um livro de mesa de centro. Autocrítica
ou desconstrução é pouco: precisamos de uma autodemolição.
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopaulocuenca/2016/05/1775322-ministerio-da-educacao-e-da-cultura-do-estupro.shtml
quarta-feira, 25 de maio de 2016
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