BOB DYLAN - HURRICANE from Bruno Malasomma on Vimeo.
Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.
sábado, 17 de novembro de 2012
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
rebelião íntima
Às vezes, muitas vezes, mais vezes do que se
desejaria, é melhor aceitar, sem discutir, obstar, argumentar... É que acaba
cansando menos. Aceitar, obedecer, acatar, não contestar ―
qualquer verbo que com a submissão puder se alinhar. E, bem no íntimo, naquele
terreno evasivo do quase não saber, saber que esse aceitar é apenas um modo de
continuar a se rebelar.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
domingo, 11 de novembro de 2012
sábado, 10 de novembro de 2012
lembrando um poema de bertold brecht
Lutar, lutar, lutar ― como uma coisa imperiosa, absoluta, que se impõe.
canção de Silvio Rodriguez
histórias para não dormir
Pensando bem, nem é
estranho que a literatura (vale dizer, o que se encontra pressuposto neste
termo) tenha se tornado um destino para mim: na infância, o conto da carochinha
que me foi contado foram histórias de assombração de variado calibre ― o espírito da mata que
assustava caçadores noturnos; o caixão que pesava sobre um carro passando, à
noite, diante de um cemitério à beira da estrada; o diabo que veio pessoalmente
dar uma surra, com suas poderosas línguas de fogo, num homem que havia duvidado de
sua existência; mortos que apareciam a seus parentes... Fora a história da “fera da Penha”.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Alberto Caeiro
Duas
horas e meia da madrugada. Acordo e adormeço.
Houve
em mim um momento de vida diferente entre sono e sono.
Se
ninguém condecora o sol por dar luz,
Para
que condecoram quem é herói?
Durmo
com a mesma razão com que acordo
E é no
intervalo que existo.
Nesse
momento, em que acordei, dei por todo o mundo ―
Uma
grande noite incluindo tudo
Só para
fora.
Poesia completa
de Alberto Caeiro.
São Paulo: Companhia de Bolso, 2005, p.139.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
leveza
E se o meu ser pudesse se repartir a cada momento,
como se não houvesse um único eu? Os
momentos sucedendo-se não linearmente, uma espécie de bifurcação contínua da
vida. Haveria essa coisa chamada tempo? Este constante instante existe, mas
parece que uma única possibilidade é trilhada, fazendo da vida uma linha
imaginária e perceptível pela memória. Mas e se por exemplo agora, quando a
inquietação me invade, eu conseguisse, ainda que com os andrajos rotos do eu que
reconheço como eu, eu conseguisse ir na direção da desintegração do átomo do
eu? A noite ficaria mais leve. Uma justificativa para se contar / ler histórias antes de dormir: diminuir a densidade do eu, para que ele consiga flutuar nas águas do sono.
Emily Dickinson
Uma noção de coisa finda
Nas Covas é captada –
Um não ligar para o Futuro –
Um Ermo de Medida.
Ao exibir-se audaz a Morte
O que a rigor nós somos
E a nossa serventia Eterna
Afinal inferimos.
There is a finished feeling
Experienced at Graves -
A leisure of the Future -
A Wilderness of Size.
By Death's bold Exhibition
Preciser what we are
And the Eternal function
Enabled to infer.
Experienced at Graves -
A leisure of the Future -
A Wilderness of Size.
By Death's bold Exhibition
Preciser what we are
And the Eternal function
Enabled to infer.
DICKINSON,
Emily. A branca voz da solidão. Trad. José Lira. São Paulo:
Iluminuras, 2011, p.138-139.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Fernando Pessoa
Agita as árvores um vento
Sob o plácido azul do céu,
O que agita meu pensamento
É que hoje deixo de ser meu.
Fernando
Pessoa. Poesia 1931-1935. São Paulo, Companhia
das Letras, 2009, p.74.
domingo, 28 de outubro de 2012
herberto helder: o canto esdrúxulo que regula a terra...
"na reescrita de cada coisa já escrita na entrelinha das coisas"
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