Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
sentinela
Há qualquer coisa de endurecimento ―
defesa antecipada ― em mim que vem atravancando minha usual generosidade.
Qualquer passo em direção ao outro, quando esse outro não parece representar terreno seguro, comporta um elemento de
cálculo que torna tudo cansativo. Aí eu acabo preferindo o que denominaria de
descanso subjetivo. Uma forma de preguiça existencial? Como, depois de tanto
tempo cultivando música própria, fazer dueto com a música alheia? Por sorte há a poesia, companheira
inestimável de viagem e do que é intervalo. E não vivo mais sem os rabiscos que
faço aqui ― que me descansam de mim mesma ― e sem as aulas de natação.
Mário Quintana
TRÁGICO ACIDENTE
DE LEITURA
Tão comodamente
que eu estava lendo, como quem viaja num raio de lua, num tapete mágico, num
trenó, num sonho. Nem lia: deslizava. Quando de súbito a terrível palavra
apareceu, apareceu e ficou, plantada ali diante de mim, focando-me: ABSCÔNDITO.
Que momento passei!… O momento de imobilidade e apreensão de quando o fotógrafo
se posta atrás da máquina, envolvidos os dois no mesmo pano preto, como um
duplo monstro misterioso e corcunda… O terrível silêncio do condenado ante o
pelotão de fuzilamento, quando os soldados dormem na pontaria e o capitão vai
gritar: Fogo!
Mário Quintana. Nova antologia poética. São Paulo: Globo,
2007, p.97.
um conto primoroso de Ivan Angelo
MENINA
“Oh, ela sabia cada vez mais.”
(Clarice Lispector)
Sentar-se, concentrada, contar até um número, por
exemplo dez, ou doze, e esperar agudamente um acontecimento importante, era seu
exercício mais impreciso, mais despido de maldade, porque ela não escolhia o
que ia acontecer, só fazia acontecer.
Havia outros, menos intensos: gritar “aaaa” de
olhos fechados e, abrindo-os, esperar que tudo houvesse desaparecido; colocar a
mão molhada na testa e acompanhar aquele sangue mais frio passeando no seu
corpo; imóvel e muda, obrigar a fruteira de cristal brilhante a estilhaçar-se
no chão com a força do pensamento; passar sem comer um dia inteiro para
preocupar a mãe e ouvir deliciada: “Ana Lúcia, você me mata!”
Entretanto, era o esperar que algo importante
acontecesse quando contasse até doze ou dez que lhe dava aquele segundo de vida
intenso do qual ela saía sempre um pouco mais velha, e apressava a sua
respiração, como um cansaço ou um beijo de Guilherme em Nilsa. Horas depois, ou
nos dias seguintes, quando ouvia as pessoas grandes conversarem segredos ou comentarem
graves um fato recente, dizia-se, plena de poder, ela mesma perplexa ante suas
possibilidades: “Fui eu. Fui eu que fiz.”
Achava péssimo ir à escola, a professora era
horrível. As coisas de que mais gostava: pensar sem ninguém perto porque aí podia
ir avançando até se perder, brincar de santa, dormir, comer doce. Bom mesmo era
fazer nada, nem pensar, mas isso só às vezes conseguia, e era impossível gozar
o momento, sempre passado. Pois quando o sentia, ele já acabara: ela começara a
pensar. Ter aquilo na mesma hora seria morrer? ― perturbava-se ela com o
pensamento, cada vez sabendo mais.
Sim, cada vez sabendo
mais. Sempre sentira esse mistério: não ter pai. Ela, que podia tanta coisa,
afinava-se embaraçada de não conseguir dizer “papai” do modo de Tita ou Nina.
Era a única coisa que faziam melhor do que ela, dizer “papai”. A diferença
talvez só ela percebesse, sutil. Sentia que pai era uma coisa que se tem
sempre, como mãe, ou roupas. Tita e Nina sabiam que aquela era uma vantagem:
― Quede seu pai, Ana
Lúcia?
― Está viajando.
Disseram-lhe isso, já
tinha escutado ou inventara? Ah, cada vez sabia mais, sempre mais.
Guilherme e Nilsa não se beijavam perto da mãe.
Se ela chegava, as mãos ficavam quietas nas mãos, a respiração ficava mansinha
e não havia mais nada interessante para olhar da janela do quarto. Beijar devia
ser proibido. Ou pecado. (Sabia mais, sempre mais).
― Ana Lúcia, seu pai
ainda está viajando?
― Está.
― Mentirosa! Sua mãe é
desquitada.
Ficou impotente diante
da palavra desconhecida. Uma coisa nova, ainda não se podia saber de que lado
olhar para possuí-la toda. Desquitada. Desquitada. Jamais perguntaria a Tita,
era uma alegria que não lhe daria. Ficou uns instantes sem saber como sair
ilesa dessa armadilha. Tita corada e brilhante de prazer na sua frente.
― E o que é que tem
isso?
Tita desmontou como um
quebra-cabeça, Ana Lúcia balançara o tabuleiro. Jamais teria medo de Tita, ela
sempre dependia demais das coisas fora dela, de um gesto, de uma palavra como
desquitada ou parto.
Desquitada. Passou dias
tentando solucionar sozinha. Seria uma coisa como burra, feia? Não, não
parecia. Flor? Flor parecia, mas não explicava nada: orquídeas, rosas,
sempre-vivas, desquitadas… Parecia. “Mentirosa! Sua mãe é desquitada.” Tita
dissera como quem diz o quê? o quê? o quê? ― sem-vergonha. Sim!, como quem diz
sem-vergonha: olhando de frente e esperando um tapa.
Nesses dias amou a mãe
com muita força, amou-a até sentir lágrimas, defendendo-a contra a palavra que
poderia feri-la: desquitada, sem-vergonha. Pensava a palavra de leve, com
receio de ferir a mãe. Experimentava baixinho torná-la mais suave, molhando-a
de lágrimas e amor: desquitadinha, sem-vergonhinha. Mas a palavra sempre
agredia, sempre feria.
Sentada no chão, picando retalhinhos de pano com
a tesoura, amava a mãe intensamente, enquanto ela costurava rápida, bonita
mesmo, com aqueles alfinetes na boca. Chegava alguém para provar vestidos, a
mãe mandava-a sair. Era feio ver gente grande mudar de roupa, a mãe dizia. Saía
contrariada por deixá-la exposta à palavra, em perigo. Abria-se a porta, ela
entrava de novo, amando, amando.
Estava cansada dessa
obrigação e só por isso duvidou de si, subitamente um dia ao tomar leite para
dormir: desquitada podia não ser como sem-vergonha! Podia até ser pior, e quem
sabe podia ser melhor. Respirando fundo e observando-se, ela seguia pronta para
novas descobertas. Refugiou-se no sono.
No dia seguinte recomeçou.
Mais uma vez preocupava-se com a palavra, agora não nova, mas mistério, sombra.
Não se arriscava a dar um palpite, havia o perigo de outro engano.
A professora feia! pergunta no fim da manhã,
recolhendo os cadernos, se alguém tem alguma dúvida. Ana Lúcia acende-se
emocionada. Por que não a professora? Talvez ela fosse boa, talvez dissesse
logo o que é desquitada, talvez dissesse na mesma hora, sem muitas perguntas
como por que você quer saber uma coisa dessas. Levanta-se tímida, insegura. Já
de pé, desiste, e não sabe se senta ou chora.
― O que é, Ana Lúcia?
A voz da professora, mansa, mas não ajudando. Não
pergunto, não pergunto ― teima Ana Lúcia, ganhando tempo.
― O que é? ― a voz insiste.
As meninas riem, insuportáveis. Helenice e seus
dentes enormes impossibilitando tudo. Ana Lúcia sente que vai chorar. Estar
perto da mãe é o que mais deseja.
― Sente-se ― ordena a professora irritada.
A máquina de costura
avançava decidida sobre o pano. Que bonita que a mãe era, com os alfinetes na
boca. Gostava de olhá-la calada, estudando seus gestos, enquanto recortava
retalhos de pano com a tesoura.
Interrompia às vezes
seu trabalho, era quando a mãe precisava da tesoura. Admirava o jeito decidido
da mãe ao cortar pano, não hesitava nunca, nem errava. A mãe sabia tanto! Tita
chamava-a de ( ) como quem diz ( ). Tentava não pensar as palavras, mas sabia
que na mesma hora da tentativa tinha-as pensado. Oh, tudo era tão difícil. A
mãe saberia o que ela queria perguntar-lhe intensamente agora quase com fome,
depressa, depressa antes de morrer, tanto que não se conteve e
― Mamãe, o que é
desquitada? ― atirou rápida com uma voz sem timbre.
Tudo ficou suspenso, se
alguém gritasse o mundo acabava ou Deus aparecia ― sentia Ana Lúcia. Era muito
forte aquele instante, forte demais para uma menina, a mãe parada com a tesoura
no ar, tudo sem solução podendo desabar a qualquer pensamento, a máquina
avançando desgovernada sobre o vestido de seda brilhante espalhando luz luz
luz.
A mãe reconstruiu o
mundo com uma voz maravilhosa e um riso:
― Eu precisava mesmo
explicar para você a situação. Mas você é tão pequena!
Olhou a filha com
carinho, procurando o jeito mais hábil. Pouco mais de sete anos, o que poderia
entrar naquela cabecinha?
― Desquitada é quando o
marido vai embora e a mãe fica cuidando dos filhos.
Pronto, estou livre ―
sentiu Ana Lúcia. Desquitada, desquitada, desquitada ― repetia sem medo.
Sentia-se completa e nova. Alegrou-se por não precisar amar a mãe com aquela
força de antes. Sendo apenas uma menina poderia cansar-se e então o que seria
da mãe? Bom, que desquitada não fosse um insulto. Bom mesmo. Deixava-a livre
para pensar e não pensar, coisa tão difícil que
― Marido é o pai? ― ela
quis confirmar, conquistando áreas que as outras crianças tinham naturalmente.
A mãe sorriu e confirmou.
Tita sabia dizer
“papai” porque a mãe não era desquitada ― ia Ana Lúcia aprendendo, descobrindo.
Havia muita coisa em que pensar naquela conversa. Por exemplo: o que ela chama
de marido é o que eu chamo de pai. Essa é uma diferença entre mãe e filha.
Ela sabia cada vez
mais.
Para gostar de ler, vol.10 (contos brasileiros
3). 18.ed.
São Paulo: Ática, 2010, p.41-45.
José Paulo Paes
TEORIA DA RELATIVIDADE
devagar se vai longe
mais perto de deus o ateu
do que o monge
José Paulo Paes. Poesia
completa. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p.297.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
força
Caminhar, se possível em contato com a natureza, é uma
coisa muito simples, cujo bem-estar eu descobri inestimável. Antes de começar a
fazê-lo cotidianamente, não podia suspeitar que tanto estava ao alcance do que
reconheço em mim como força.
pequeno milagre
Perceber os olhos levemente molhados, depois de
expressivo tempo secos, diante da cena final de um drama americano já visto,
casualmente encontrado no zapeamento dos canais ― e por que, afinal, deter-se ante um título que fala de vidas (e da vida) no limite? Mas foi assim, e o pequeno milagre do começo da água. Haveria talvez algo mais a dizer aqui, mas essa água não quer ser corrompida.
trecho de conversa: lacunas (ou o desinvestimento virtual)
“Concordo com você. É muito melhor a gente tentar se
comunicar ao vivo. Muito sempre fica por dizer, mas o encontro face a face
parece que preenche de alguma outra forma as lacunas das palavras.”
Cacaso ("sem deixar resíduo de meu ser, peixe")
MARINHA
IRREVERSÍVEL
Agora te persigo, peixe morto.
Não como esfinge oblíqua
mas como prolongamento de meu corpo.
As
palavras não valem,
o tempo
não conta.
Debruço-me
sobre os continentes, o mais árido,
e cavo a
medida exata de minha angústia.
Sobre as
retinas cai a longa noite.
O sono é
numeroso e horizontal.
Como o
sono permanece, tento romper-te
em litúrgicas
escamas, como se buscasse
a só
reintegração na superfície.
A cidade pulverizada te reflete,
a ti que fazes vigília em meus olhos.
Não há saída, as portas se recusam.
Mas a vida lateja e propõe
outro costume.
Sem mais escolha e sem
deixar resíduo de meu ser,
peixe,
mergulho para todo o sempre
em teu condado submerso.
CACASO. Lero-lero. São Paulo: Cosac Naify, 2012, p.203.
política (e políticos)
No Rio, qualquer chuva mais forte deixa nas ruas um rastro de lama. Nem
tudo eles conseguem esconder, e a natureza acaba por expor as vísceras do
poder.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Cacaso
ELOGIO DA
LOUCURA
Certo
rapaz de longos braços e barbas
viu
qualquer coisa que nenhum mortal jamais
nem
pressentiu ou saberá
pois o
certo rapaz – que pena! – jamais
voltou
para contar.
CACASO. Lero-lero. São Paulo: Cosac Naify, 2012, p.17.
José Paulo Paes
AUTO-EPITÁFIO Nº 2
para quem pediu sempre tão pouco
o nada é positivamente um exagero
Os
melhores poemas de José Paulo Paes. 3. ed. São
Paulo: Global, 2000, p. 225.
nadar, do pronome nada
“Vou entrar na piscina sem nada*, só eu e minha força.”
* Este nada remete, em termos estritos, aos
apetrechos que auxiliam os maus nadadores. É preciso muita coragem para fazer
valer este nada para além dos apetrechos, ou seja, despojar-se, estar
(saber-se) de fato sem nada. E deixar
de ser, quem sabe, um mau nadador.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Eduardo Alves da Costa
NO
CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI
Assim
como a criança
humildemente
afaga
a
imagem do herói,
assim
me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não
importa o que me possa acontecer
por
andar ombro a ombro
com
um poeta soviético.
Lendo
teus versos,
aprendi
a ter coragem.
Tu
sabes,
conheces
melhor do que eu
a
velha história.
Na
primeira noite eles se aproximam
e
roubam uma flor do nosso jardim.
E
não dizemos nada.
Na
segunda noite, já não se escondem:
pisam
as flores,
matam
nosso cão,
e
não dizemos nada.
Até
que um dia,
o
mais frágil deles
entra
sozinho em nossa casa,
rouba-nos
a luz e,
conhecendo
nosso medo,
arranca-nos
a voz da garganta.
E
já não podemos dizer nada.
Nos
dias que correm
a
ninguém é dado
repousar
a cabeça
alheia
ao terror.
Os
humildes baixam a cerviz:
e
nós, que não temos pacto algum
com
os senhores do mundo,
por
temor nos calamos.
No
silêncio de meu quarto
a
ousadia me afogueia as faces
e
eu fantasio um levante;
mas
amanhã,
diante
do juiz,
talvez
meus lábios
calem
a verdade
como
um foco de germes
capaz
de me destruir.
Olho
ao redor
e
o que vejo
e
acabo por repetir
são
mentiras.
Mal
sabe a criança dizer mãe
e
a propaganda lhe destrói a consciência.
A
mim, quase me arrastam
pela
gola do paletó
à
porta do templo
e
me pedem que aguarde
até
que a Democracia
se
digne aparecer no balcão.
Mas
eu sei,
porque
não estou amedrontado
a
ponto de cegar, que ela tem uma espada
a
lhe espetar as costelas
e
o riso que nos mostra
é
uma tênue cortina
lançada
sobre os arsenais.
Vamos
ao campo
e
não os vemos ao nosso lado,
no
plantio.
Mas
no tempo da colheita
lá
estão
e
acabam por nos roubar
até
o último grão de trigo.
Dizem-nos
que de nós emana o poder
mas
sempre o temos contra nós.
Dizem-nos
que é preciso
defender
nossos lares,
mas
se nos rebelamos contra a opressão
é
sobre nós que marcham os soldados.
E
por temor eu me calo.
Por
temor, aceito a condição
de
falso democrata
e
rotulo meus gestos
com
a palavra liberdade,
procurando,
num sorriso,
esconder
minha dor
diante
de meus superiores.
Mas
dentro de mim,
com
a potência de um milhão de vozes,
o
coração grita – MENTIRA!
Extraído daqui.
domingo, 13 de janeiro de 2013
rebaixamento
Nunca no Brasil houve tanta mulher disposta a
estampar capa de jornal barato ― e publicações congêneres. Está surgindo uma nova profissão:
subcelebridades, seres que vivem à custa da duvidosa imagem que alimentam
através do corpo. Mulheres que estão fazendo do corpo objeto de uma posse
coletiva e virtual, multiplicada pelas possibilidades exponenciais da internet.
Seria interessante pensar quem está financiando essa superexposição do corpo
feminino, quem está efetivamente lucrando (e obtendo satisfação) com isso e por
que as mulheres (naturalmente as que estão se submetendo a essa distorção
grotesca de sua sexualidade) estão permitindo esse avanço sem escrúpulos sobre
seu corpo.
álvaro de campos e o cansaço (moderno) de existir
O único jeito por vezes é fugir, como diz o poema do Álvaro
de Campos, fugir da porrada, porque senão o nocaute é certo.
paladar aguçado
A contingência lança-me na cara imagens violentas,
grotescas, cruéis, por vezes gratuitamente cruéis, o que assusta mais. Tomo um
pouco de vinho para acompanhar o almoço, que de outra forma seria inviável, e
descubro que o vinho age sobre a acidez da vida. Percebo que o anagrama das
letras da última oração, age sobre a
acidez da vida, é quase agridoce.
Emily Dickinson
Banir a Mim ― de Mim ―
Fosse eu Capaz ―
Fortim inacessível
Ao Eu Audaz ―
Mas se meu Eu ― Me assalta ―
Como ter paz
Salvo se a Consciência
Submissa jaz?
E se ambos somos Rei
Que outro Fim
Salvo abdicar-
Me de Mim?
Me from Myself — to banish —
Had I Art —
Impregnable my Fortress
Unto All Heart —
But since Myself — assault Me —
How have I peace
Except by subjugating
Consciousness?
And since We're mutual Monarch
How this be
Except by Abdication —
Me — of Me?
Had I Art —
Impregnable my Fortress
Unto All Heart —
But since Myself — assault Me —
How have I peace
Except by subjugating
Consciousness?
And since We're mutual Monarch
How this be
Except by Abdication —
Me — of Me?
DICKINSON,
Emily. Não sou ninguém: poemas. Trad. Augusto de Campos. Campinas,
SP: Editora da Unicamp, 2008, p.56-57.
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