Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
destino
Uma fantasia qualquer me faz imaginar que um dia
farei uma viagem à Grécia, e passarei por aquelas simpáticas costas com casas brancas, que
devem ofuscar a vista pelo tanto de luz que refletem. É um destino turístico
que promete qualquer coisa como paz, descanso e tranquilidade — sem adjetivos
gregos. Naturalmente, há bovarismo neste post, assim como em planos de viagem.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
domingo, 22 de dezembro de 2013
trecho de conversa: o pulsar da vida
“Sinto que
tem coisas para as quais a gente tem de dar um bom desconto, pois somos muito
rigorosas, não é? Eu sou... Quero sempre eu mesma estar melhor, falar
coisas melhores, observar mais, contribuir mais para o bem estar dos outros, mas o tempo
corre, os segundos pulsam junto com as palavras que brotam segundo uma lógica
que não controlamos e os acontecimentos são da conta de... diria Deus,
mas tenho escrúpulos...”
sábado, 21 de dezembro de 2013
narrativas
“[...] as histórias são sempre maiores que nós,
aconteceram conosco e sem ter delas consciência fomos seus protagonistas, mas o
verdadeiro protagonista da história que vivemos não somos nós, é a história que
vivemos.” (Antonio Tabucchi, O tempo
envelhece depressa. Trad. Nilson Moulin. São Paulo: Cosac Naify, 2010, p. 95.)
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Walt Whitman — "but offer the value itself"
Não trago grana
ou amores ou roupa ou comida .... mas é bom também ;
Não envio nenhum
agente ou médium .... não ofereço nenhum representante de valor — mas ofereço o valor em si.
WHITMAN, Walt. Folhas de relva. Trad. Rodrigo Garcia
Lopes. São Paulo: Iluminuras, 2008, p. 137.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Paulo Henriques Britto
BIODIVERSIDADE
Há maneiras mais fáceis de se expor
ao ridículo,
que não requerem prática, oficina, suor.
Maneiras mais simpáticas de pagar mico
e dizer olha eu aqui, sou único, me amem por favor.
que não requerem prática, oficina, suor.
Maneiras mais simpáticas de pagar mico
e dizer olha eu aqui, sou único, me amem por favor.
Porém há quem se preste a esse papel
esdrúxulo,
como há quem não se vexe de ler e decifrar
essas palavras bestas estrebuchando inúteis,
cágados com as quatro patas viradas pro ar.
Então essa fala esquisita, aparentemente anárquica,
de repente é mais que isso, é uma voz, talvez,
do outro lado da linha formigando de estática,
dizendo algo mais que testando, testando, um dois três,
como há quem não se vexe de ler e decifrar
essas palavras bestas estrebuchando inúteis,
cágados com as quatro patas viradas pro ar.
Então essa fala esquisita, aparentemente anárquica,
de repente é mais que isso, é uma voz, talvez,
do outro lado da linha formigando de estática,
dizendo algo mais que testando, testando, um dois três,
câmbio? Quem sabe esses cascos
invertidos,
incapazes de reassumir a posição natural,
não são na verdade uma outra forma de vida,
tipo um ramo alternativo do reino animal?
incapazes de reassumir a posição natural,
não são na verdade uma outra forma de vida,
tipo um ramo alternativo do reino animal?
Paulo
Henriques Britto. Macau. São
Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 9.
um rabisco no papel
Bem disse quem disse que são as palavras que suportam o mundo, não os ombros. Mesmo os
ombros mais fortes recorreram à poesia.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
o tecido delicado da vida
É tudo muito delicado, tão delicado que eu sinto, às
vezes, uma imensa responsabilidade em viver, falar, estar em relação com o
outro. Digo “eu” sabendo dos limites necessários do “eu”, limites que
preservariam o que é delicado.
domingo, 8 de dezembro de 2013
futebol brasileiro
Ia falar da última rodada do campeonato brasileiro, a
propósito de uma cena vista ontem no documentário “Edifício Master”, quando a
internet traz a notícia – e as imagens – de uma briga tribal entre torcedores
de dois dos times que estão duelando, conforme linguagem empregada pela própria
mídia para caracterizar os embates da última rodada. Tratava-se, inicialmente, voltando ao documentário de Eduardo Coutinho, da fala do ex-jogador e ex-treinador Paulo Mata, que quando técnico do Itaperuna
entrou nu em campo em protesto contra o resultado na partida contra o Vasco.
Paulo Mata, perguntado sobre o motivo de seu protesto, disse ao
diretor-entrevistador: “o futebol brasileiro...”
walt whitman: a saudável anarquia da poesia
.... Um grito
no meio da multidão,
Minha própria
voz, redonda e arrebatadora e definitiva.
WHITMAN, Walt. Folhas de relva. Trad. Rodrigo Garcia
Lopes. São Paulo: Iluminuras, 2008, p. 111.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
palavra peregrina
Enfim eu voltei para a análise, depois de
praticamente desacreditar do método e sofrer os reveses do discurso pouco hábil
de uma analista pouco profissional. Mas isso, a mistura entre o profissional e
o pessoal, eu só vi depois, e nem adianta pensar que a fluidez desses limites é
prerrogativa da psicanálise, ou sua vantagem. Eu estava sufocando nos limites
estreitos daquele “consultório”... Agora voltei, depois da re-volta. Voltei mas
para outro lugar, o que significa uma fronteira que se alcança. Voltei para a
busca de uma escuta, uma escuta que ouça a palavra peregrina que levo e não se
apresse a encaixotá-la num texto que não me pertence nem me diz respeito. Às
vezes é preciso ficar com os fragmentos, os cacos do texto, porque foi isso que
se conseguiu produzir como imagem — representação — de um turbilhão, de um
excesso. Vamos ver o que vai, ou não, acontecer.
domingo, 1 de dezembro de 2013
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