Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


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terça-feira, 1 de abril de 2014

"escravos de jó", canção censurada do álbum "milagre dos peixes", gravada posteriormente como "caxangá" por elis regina

Milton Nascimento e Fernando Brant
  
Sempre no coração 
haja o que houver 
a fome de um dia poder 
morder a carne dessa mulher 

Veja bem meu patrão 
como pode ser bom 
você trabalharia no sol 
e eu tomando banho de mar 

Luto para viver 
vivo para morrer 
enquanto a minha morte não vem 
eu vivo de brigar contra o rei 

Em volta do fogo 
todo o mundo abrindo jogo 
conta o que tem pra contar 
casos e desejos 
coisas dessa vida e da outra 
mas nada de assustar 
quem não é sincero 
sai da brincadeira correndo 
pois pode se queimar, queimar 

Saio do trabalh-ei 
volto pra cas-ei 
não lembro de canseira maior 
em tudo é o mesmo suor  

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

uma canção lembrada no meio da tarde

Atravessava a ponte Rio-Niterói, sentido Rio, quase final da tarde, e o olhar se fixava, aleatoriamente, nas muitas embarcações paradas na Baía de Guanabara, aparentemente esperando vez no porto, ou outra vez qualquer. Estranho... olhar e não entender. Por que ficam ali parados? Estariam ancorados? Então comecei a divagar quais deles seriam navios e quais barcos, e daí deslizei a memória para os diferentes nomes que recebem as embarcações, essas estruturas capazes de navegar na água: navio, barco, lancha, veleiro, canoa... como aquela da terceira margem do rio, não o de janeiro. Outros rios. Foi assim que uma música muito antiga e poética veio-me à baila na memória. Trata-se de uma canção de Nelson Angelo e Fernando Brant.