Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.
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domingo, 12 de junho de 2016
terça-feira, 11 de agosto de 2015
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
canção maravilhosa, interpretação perfeita de milton nascimento
Voa Bicho
Telo
Borges / Márcio Borges
Ah,
andorinha voou, voou, fez um ninho no meu chapéu
e
um buraco bem no meio do céu
e,
lá vou eu como um passarinho, sem destino nem sensatez
sem
dinheiro nem pro pastel chinês
ah,
andorinha voou, voou, fez um ninho na minha mão
e
um buraco bem no meu coração
e,
lá vou eu como um passarinho, como um bicho que sai do ninho
sem
vacilo, nem dor na minha vez
ah,
andorinha voa veloz, voa mais do que minha voz
andorinha
faz a canção que eu não fiz
andorinha
voa feliz, tem mais força que minha mão
mas
sozinha não faz verão
(versão
com Telo Borges)
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
cruzada (renato braz e boca livre)
Ontem tive o prazer de reencontrar esta canção, de memória antiga e adormecida. Conhecia-a na voz de Beto Guedes. Com Renato Braz e Boca Livre ficou divina. E quem inspiração foi essa, dos compositores (Tavinho Moura e Márcio Borges)? "Você parece comigo, nenhum senhor te acompanha. Você também se dá um beijo dá abrigo". Belíssimo cruzamento de referências histórico-políticas e pessoais-subjetivas. No limite, afetivas: "Não quero ter mais sangue morto nas veias".
quinta-feira, 8 de março de 2012
a sede do peixe (para o que não tem solução)
para o que não tem mais razão / a calma do louco ensinou / a dizer nada
quarta-feira, 20 de julho de 2011
aos amigos (sem o possessivo)
Hoje (mas já quase deixando de ser, pelo avançado da hora) é dia do amigo. Ontem me encontrei com minha queridíssima Maria Fernanda, sem adjetivos que cheguem, e muita coisa conversamos no café da Travessa. A nenhuma de nós duas, durante toda a tarde e a conversa, ocorreu que o dia seguinte seria dedicado ao amigo. As efemérides atendem a coisas muito distintas da imagem que projetam, e por isso o dia do amigo não vende, não se transformou em anúncio de perfume, roupa ou celular. Amizade, arte, cinema, música, literatura, Clarice Lispector, minha paixão por Bob Dylan... muitas coisas tomaram corpo nas palavras com que íamos tecendo a tarde. No entanto, um dos primeiros temas da tarde, enquanto as esquinas do Centro iam mostrando suas possibilidades de um lugar para sentar sem muita agitação, foi o Clube da Esquina. Também falei deste espaço, do inusitado de me comunicar com pessoas que, em boa parte, não conheço pessoalmente, mas que despertam minha simpatia, algo que parece ser recíproco. Por seu turno, são poucos os amigos do mundo real que frequentam este meu outro lado, simplesmente porque não lhes parece dizer respeito, e está tudo bem que seja assim. Estão em outra vibe. Nas projeções da linguagem que este espaço faculta, novas vibes vão se produzindo. A tarde com a Maria Fernanda é insubstituível, porque a própria Maria Fernanda o é. Mas também não posso mais prescindir de escrever, esse ecoar da voz sem rumo certo. Então com a linguagem é possível entreter uma relação de amizade, que permeia as próprias relações. Fiquei particularmente sensibilizada ao revisitar, via sessão de análise e Clarice Lispector, a questão do simbólico. Foi tão forte que chorei na sessão e, na minha sensação de impotência, a analista percebeu a delicadeza de tudo e silenciou. Quando me encontrei com Maria Fernanda, a primeira coisa que disse é que havia chorado na sessão. Sem isso, esse poder falar, não haveria a leveza da tarde que se seguiu, o muito que coube no encontro. Os encontros e suas esquinas. As esquinas dos encontros. Nas esquinas, o encontro.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
de repente começa a tocar no som do vizinho, bem baixinho...
Quando
ouvi esta canção pela primeira vez (ou pelo menos na recordação mais antiga que
tenho de tê-la escutado), descobri que gostava muito dela, do que estava
ouvindo. Não era uma música a mais, era uma música antiga e atual, uma música
de acordes suaves, uma canção que trazia uma estranha calma, tudo isso com
muita beleza, numa gravação, tornada clássica, de Lô Borges. A roupagem dada por Flávio Venturini ficou, não igualmente bonita, mas à altura do que a canção pede como interpretação. De tudo se faz canção... e o coração na curva de um rio, rio,
rio... Não sei se o movimento musical Clube da Esquina tomou
emprestado o nome desta música ou vice-versa. Mas ela é a identidade do movimento.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Estrelas (Lô Borges e Márcio Borges)
"Poeira, na noite / a festa da noite / Guerreira, estrela da morte / festa negra amor / mas é tarde". No CD Clube da Esquina. Melodia bonita. Interpretação meio cósmica. Quase uma música incidental no disco.
sábado, 11 de setembro de 2010
Clube da Esquina: o álbum
Não há adjetivos que cheguem para o álbum Clube da Esquina: uma torrente de surpresas e emoções e sensações e, por fim, algo parecido com o sublime: "San Vicente". Mas também "Um Girassol da Cor de Seu Cabelo", "Paisagem da Janela", "Cais", "O Trem Azul", "Tudo que Você Podia Ser", "Um Gosto de Sol", "Nada Será Como Antes" e, claro, "Clube da Esquina nº2", apenas melodia e a voz do Milton, mas já tão incorporada ao imaginário que é como se a letra estivesse ali, e fosse só cantar... e basta contar compasso, e basta contar consigo, que a chama não tem pavio, de tudo se faz canção e o coração na curva de um rio, rio, rio...
sábado, 4 de setembro de 2010
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
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