Das muitas coisas acontecendo: a escola em que trabalho como docente está OCUPADA.
Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.
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quinta-feira, 10 de novembro de 2016
domingo, 3 de julho de 2016
sábado, 18 de junho de 2016
democracia
“Democracia é ninguém ser
tão rico que possa comprar alguém e ninguém ser tão pobre que tenha que se
vender a alguém.” Márcio Porchmann (via twitter)
quarta-feira, 25 de maio de 2016
desabafo no calor da hora - por alberto pucheu (via facebook)
"o golpe
escrachou para todo o país que não temos lei, que vivemos um estado de exceção.
a presidenta, diga-se, a honestidade em pessoa (a única
nesse quesito totalmente ilesa até agora) e representante maior do poder, foi
derrubada, evidenciando simultaneamente em todo o processo os criminosos que
deram o golpe. como se não bastasse o que vimos na câmara, como se não bastasse
a não punição de cunha e da maioria dos bandidos da câmara, como se não
bastasse a fala de bolsonaro no dia (e a de tantos outros) e em tantos outros
dias, como se não bastasse a evidência de um senado integralmente comprometido,
como se não bastasse a evidência do supremo comprometido, dos altos empresários
e da fiesp comprometidos, as gravações desses dias provam de algum modo os
participantes do golpe, que não apenas estão soltos, mas estão governando o
país, tendo o golpe sido dado. mas não basta isso, é preciso a cada minuto um
ato pior, é preciso revogar o que antes sustentava alguma possibilidade de
vida, é preciso lançar-nos a cada dia num ainda pior, de modo que, quando, a
cada momento, pensamos que chegamos ao fundo do poço, vemos que não, vemos que
o poço que querem criar não tem fundo. trata-se evidentemente de tirar o fundo,
mesmo que na cara de todos. está sendo assim na revogação das conquistas em
todos os níveis. foi assim na formação do ministério e, na extinção dos
ministérios do pensamento, da criação e da diversidade. hoje, como mais um
elemento sórdido, alexandre frota, que já se gabou em pleno programa de
auditório de ter estuprado uma mulher dando detalhes de como havia feito a um
auditório que ria, foi pautar o ministério da educação, recebido pelo ministro,
que certamente compactua com ele. no momento, não consigo desvincular o horror do estupro na moça cometido pelos 30 criminosos dessa suspensão absoluta da lei
que estamos vivendo da maneira mais evidenciada possível, que foi criada pelos
bandidos que governam esse país. lembremos do senador perella, o traficante de
cocaína, sendo senador e votando contra dilma, claro. dilma foi simbolicamente
estuprada pelos bandidos machos. a moça foi literal e realmente estuprada pelos
bandidos machos. a bandidagem pode tudo, é o sinal do supremo (é o sinal
supremo), do congresso, da mídia, da fiesp, desses bandidos majoritários,
fabricando um mundo sem lei. o brasil nunca foi afeito ao cumprimento da lei,
mas agora chegou num nível insuportável. é o horror o que querem."
Alberto Pucheu: http://www.albertopucheu.com.br/
sábado, 14 de maio de 2016
miopia grave
A miopia e o conservadorismo do grupo que tomou de
assalto o poder no Brasil encontram “a sua mais completa tradução” na extinção do Ministério da Cultura. Alguém poderá dizer que a ausência de
representatividade social no “novo” ministério é um sintoma pior, ou mais
contundente. O desprezo à cultura, no entanto, conceito dos mais complexos da
sociedade, de qualquer sociedade, traz em seu bojo os demais vícios da referida composição ministerial ― o macho adulto branco sempre no comando, para falar
junto com outra canção de Caetano.
quinta-feira, 12 de maio de 2016
um país com mau humor
A maioria dos cartunistas do portal “a charge online”
agiram como moleques levianos diante da gravidade do momento. Uma exceção é a
charge a seguir, de Cláudio Paiva, publicada ontem.
sexta-feira, 22 de abril de 2016
terça-feira, 19 de abril de 2016
há os idiotas contumazes, incontestáveis, e há os que desejam que idiotas, não tão idiotas assim, aceitem que o capital é o éden da História
É o caso deste senhor, Luiz Felipe Pondé, que reclama um ensino de História alinhado aos ventos neoliberais.
com que palavras nomear o inacreditável, o inaceitável, real e surreal ao mesmo tempo?
por vezes, com as que pedimos emprestadas
segunda-feira, 18 de abril de 2016
domingo, 17 de abril de 2016
o pioneiro da delação premiada (ou de como evitar algumas coincidências)
Há uma razão ― não necessariamente racional e óbvia ―
para que a votação na Câmara dos Deputados do processo de impeachment da
presidente Dilma tenha sido adiantada, acelerada: não coincidir com o feriado de Tiradentes, atualmente herói nacional, cuja morte bárbara decorreu das ações
do mais notório delator da história do país, ou traidor, como se preferir.
sexta-feira, 15 de abril de 2016
luto
Queria ter o talento e o humor de Xico Sá. Mas tudo
o que consigo dizer é que sinto tristeza. Sinto que nada será como antes. Tristeza. Paralisia. Sou profundamente solidária a essa mulher que
(ainda) ocupa a Presidência da República. Percebi, desde o começo de 2015, que
alguma coisa podia desandar. E eis que estamos à beira de um colapso. É amargo o
que uma parcela da população brasileira, na qual me incluo, está vivendo. Amargo, triste, sem
esperança. Eu queria não ser muitas coisas. Queria não precisar estar passando
por esse momento. Continuo profundamente solidária a Dilma Rousseff. Boa e Velha
República: uma vez golpista, sempre golpista. Até que um dia, quem sabe, esse
país poderá oferecer alguma coisa de melhor para quem nele, sem escolha, tenha de nascer.
terça-feira, 29 de março de 2016
eu odeio o Cunha com todas a minhas forças
Acabo de perceber que na palavra eleitor está outra
fundamental, leitor. Um leitor sofrido, maltratado, que trabalha para pagar
contas, parcialmente letrado, sem tempo para leitura ou sofisticações do
intelecto. Daí se entende por que a política educacional brasileira é sobretudo a
política porca praticada por Cunha e cia. Desse leitor atribulado e cansado os
Cunhas se alimentam, até um dia, quem sabe, em que a desesperança prevaleça.
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