Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


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domingo, 3 de março de 2013

Torquato Neto: poeta navegante

Um dia desses eu me caso com você

de tanto me perder, de andar sem sono
por essa noite sem nenhum destino
por essa noite escura em que abandono
uns sonhos do meu tempo de menino
de tanto não poder mais ter saudade
de tudo o que já tive e já perdi
dona menina, eu me resolvo agora
a ir-me embora pra longe daqui.

um dia desses eu me caso com você
você vai ver, você vai ver
um dia desses, de manhã, com padre e pompa
você vai ver como eu me caso com você

meu tempo de brincar já foi-se embora
e agora, o que é que eu vou fazer?
não tenho onde morar, vou caminhando
sem sono, sem mistérios, sem você;
pra terra onde nasci
não volto nunca mais
e esta cidade alheia tem segredos
que eu faço tudo pra não compreender

meu pobre coração não vale nada
anda perdido, não tem solução
mas se você quiser ser minha namorada
vamos tentar, não é?
não custa nada
até pode dar certo
e se não der
eu pego um avião, vou pra xangai
e nunca mais eu volto pra te ver.

NETO, Torquato. Torquatália {do lado de dentro}. Org. Paulo Roberto Pires. Rio de Janeiro: Rocco, 2004, p.181.

sábado, 30 de julho de 2011

torquato neto: no ponto misterioso do desenho

16/7/71
cidades como séculos ― um século atrás do outro. na frente do outro. o tempo se ultrapassa no espaço do tempo. agora é nunca mais, e nunca antes. agora é jamais ― um século atrás do outro. na frente do outro. ao lado. um dia é paralelo ao outro. isso tudo é um esquema muito chato enquanto a coisa anda: isso é que é legal, do mesmo jeito que é legal saber que isso tudo pulsa, de alguma maneira, no ponto misterioso do desenho. princípio, fim. total e único. geral. cidades. ninguém pode mais do que deus!

NETO, Torquato. Torquatália {do lado de dentro}. Org. Paulo Roberto Pires. Rio de Janeiro: Rocco, 2004, p.329.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

matéria vertente

Esta semana tive um sonho visguento ― noite mal dormida, e uma espécie de torpor que deixava o corpo à mercê de indefinições. No informe de tudo, eu fazia uma péssima escolha. Porque manter a disponibilidade para o risco é difícil, e o medo produz covardias, rendições. Eu me rendia ao que jamais poderia admitir, naquilo que tenho de coragem, e isso me jogava numa negação que não era interrogação, mas vazio, nulidade, frustração. A formulação de Torquato, em “Pessoal Intransferível”, continua gritando, fazendo bovinos seres inertes acordar diante do perigo: “E fique sabendo: quem não se arrisca não pode berrar. Citação: leve um homem e um boi ao matadouro. O que berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi.” Esta tarde, ao dormir aquele sono metade sono das tardes, uma parte de mim parecia querer ir, sufocar, enquanto a outra resistia e mandava voltar. E se não parasse para escrever isso o soño da tarde estaria perdido. 

terça-feira, 5 de julho de 2011

Torquato Neto: a linguagem na contramão

Torre de Babel, Escher, 1928

“... & depois da tempestade já não temos tempo de levantar a questão de uma nova Torre de Babel sintática: ela já explodiu sua possibilidade, seus alicerces, suas palavras. As palavras inutilizadas são armas mortas (a linguagem de ontem impõe a ordem de hoje). A imagem de um cogumelo atômico informa por inteiro seu próprio significado, suas ruínas: as palavras arrebentadas, os becos, as ciladas etc. etc. ad infinitum.”


NETO, Torquato. Torquatália {do lado de dentro}. Org. Paulo Roberto Pires. Rio de Janeiro: Rocco, 2004, p.312.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Torquato Neto: as palavras estão no mundo como está o mundo

MARCHA À REVISÃO (trecho)

Quando eu a recito ou quando eu a escrevo, uma palavra ― um mundo poluído ― explode comigo & logo os estilhaços desse corpo arrebentado, retalhado em lascas de corte & fogo & morte (como napalm), espalham imprevisíveis significados ao redor de mim: informação. Informação: há palavras que estão no dicionário & outras que eu posso inverter, inventar. Todas elas juntas & à minha disposição, aparentemente limpas, estão imundas & transformaram-se, tanto tempo, num amontoado de ciladas. Uma palavra é mais que uma palavra, além de uma cilada. Elas estão no mundo como está o mundo & portanto as palavras explodem, bombardeadas. Agora não se fala nada, um som é um gesto, cuidado. Vida Toda Linguagem, cf. Mário Faustino que era daqui e um dos maiores & quem quiser consulte. No princípio era o Verbo, existimos a partir da Linguagem, saca? Linguagem em crise igual a cultura e /ou civilização em crise ― e não reflexo da derrocada. O apocalipse, aqui, será apenas uma espécie de caos no interior tenebroso da semântica. Salve-se quem puder.

NETO, Torquato. Torquatália {do lado de dentro}. Org. Paulo Roberto Pires. Rio de Janeiro: Rocco, 2004, p.311.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Torquato Neto: fragmentos

e eu estou escrevendo porque é a única coisa que posso fazer agora e porque me apraz. estou muito cansado e não tenho nenhuma pergunta a fazer nem tenho uma única resposta diferente. flávio ouviu no rádio e ana me contou que no brasil o presidente está paralítico, o vice-presidente não assumiu e uma junta militar tomou a presidência. mas é provisório, torquato neto. e eles vão qualquer dia arrumar outra solução, brasileira, mulata e sentimental.

paris, 1969

NETO, Torquato. Torquatália {do lado de dentro}. Org. Paulo Roberto Pires. Rio de Janeiro: Rocco, 2004, p.297.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Torquato Neto: "qualquer palavra é um gesto"

Agora não se fala mais
toda palavra guarda uma cilada
e qualquer gesto é o fim
do seu início;

Agora não se fala nada
e tudo é transparente em cada forma
qualquer palavra é um gesto
e em sua orla
os pássaros de sempre cantam
nos hospícios.

Você não tem que me dizer
o número de mundo deste mundo
não tem que me mostrar
a outra face
face ao fim de tudo:

só tem que me dizer
o nome da república do fundo
o sim do fim do fim de tudo
e o tem do tempo vindo;

não tem que me mostrar
a outra mesma face ao outro mundo
(não se fala. não é permitido:
mudar de ideia. é proibido.
não se permite nunca mais olhares
tensões de cismas crises e outros tempos.
está vetado qualquer movimento

..............

LITERATO CANTABILE

Agora não se fala mais
toda palavra guarda uma cilada
e qualquer gesto é o fim
do seu início;
agora não se fala nada
e tudo é transparente em cada forma
qualquer palavra é um gesto
e em sua orla
os pássaros de sempre cantam assim,
do precipício:

a guerra acabou
quem perdeu agradeça
a quem ganhou.
não se fala. não é permitido
mudar de ideia. é proibido.
não se permite nunca mais olhares
tensões de cismas crises e outros tempos
está vetado qualquer movimento
do corpo ou onde que alhures.
toda palavra envolve o precipício
e os literatos foram todos para o hospício.
e não se sabe nunca mais do fim. agora o nunca.
agora não se fala nada, sim. fim, a guerra
acabou
e quem perdeu agradeça a quem ganhou.

NETO, Torquato. Torquatália {do lado de dentro}. Org. Paulo Roberto Pires. Rio de Janeiro: Rocco, 2004, p.168-169.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Torquato Neto: um soneto

SONETO DA CONTRADIÇÃO ENORME

Faço força em esconder o sentimento
Do mundo triste e feio que eu vejo.
Tento esconder de todos o desejo
Que eu não sinto em viver todo o momento

Que passa. Mas que nunca passa inteiro.
Deixa comigo o rosto da lembrança
E o fantasma de só desesperança
Que me empurra e de mim me faz obreiro

De sonhos. Faço força em esconder
Do mundo, a dor, a mágoa e a cabeça
Que pensa tão-somente em não viver.

Faço força mas sei que não consigo
E em versos integral eu me derramo
Para depois sofrer. E então, prossigo.

NETO, Torquato. Torquatália {do lado de dentro}. Org. Paulo Roberto Pires. Rio de Janeiro: Rocco, 2004, p.46.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Torquato Neto

DESEJO

Mas...
se eu pudesse um dia
com as mãos o sol pegar;
a lua apertar entre os meus pés
e
trêmulo de prazer,
em plena Via Láctea, todos os astros reter comigo,
um gozo frenético e sem fim,
apesar de tanta infelicidade
eu chegaria a ter pena de mim mesmo
pois, indiscutivelmente,
eu estaria louco,
demente!

NETO, Torquato. Torquatália {do lado de dentro}. Org. Paulo Roberto Pires. Rio de Janeiro: Rocco, 2004, p.35.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Torquato Neto: fragmentos de um discurso vertiginoso

"Será? Será verdade? Será verdade que só, só não domina a linguagem o indivíduo que enlouquece e, fica, louco? E Artaud? Quem descobre os pecados da linguagem, Gil? Talvez. Ou talvez, Mr. Tambourine Man não seja mais do que um acidente da linguagem, um malentendido, uma ligeira confusão no final do primeiro, ou terceiro, capítulo de uma novela barra-pesada que a censura (a censura, bicho) interditou, tarde demais? A censura? Será verdade que só, só agora em frente à companhia de seguros, aos vinte e cinco anos? Se a mulher chora o corpo do marido o seguro, o pecúlio trarão a certeza do dever cumprido!!!!!!!!! Certo?"

NETO, Torquato. Torquatália {do lado de dentro}. Org. Paulo Roberto Pires. Rio de Janeiro: Rocco, 2004, p.300. 


GENIAL: Quem descobre os pecados da linguagem?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Paulo Leminski: Coroas para Torquato


um dia as fórmulas fracassam
a atração dos corpos cessou
as almas não combinam
esferas se rebelam contra a lei das superfícies
quadrados se abrem
dos eixos
sai a perfeição das coisas feitas nas coxas
abaixo o senso das proporções
pertenço ao número
dos que viveram uma época excessiva

Paulo Leminski (Reproduzido de Revista USP, n. 3, 1989, p. 104). 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Torquato Neto: bilhete a Vinicius de Moraes

Bilhetinho sem maiores consequências

Uma retificação, meu bom Vinicius:
Você falou em “bares repletos de homens vazios”
e no entanto se esqueceu
de que há bares
lares
teatros, oficinas
aviões, chiqueiros
e sentinas,
cheinhos (ao contrário)
de homens cheios.
Homens cheios
(e você bem sabe)
entulhados da primeira à última geração
da imoralidade desta vida
das cotidianas encruzilhadas e decepções
da patente inconsequência disso tudo.
Você se esqueceu
Vinicius, meu bom,
dos bares que estão repletos de homens cheios da maldade das
coisas e dos fatos,
dos bares que estão cheios de homens cheios
da maldade insaciável
dos que fazem as coisas e organizam os fatos.
E você
que os conhece tão de perto
Vinicius “Felicidade” de Morais
não tinha o direito de esquecer
essa parcela imensa de homens tristes,
condenados candidatos naturais
a títulos de tão alta racionalidade
a deboches de tão falsa humanidade.

Com uma admiração “deste tamanho”.

Rio, 7/7/62.

NETO, Torquato. Torquatália {do lado de dentro}. Org. Paulo Roberto Pires. Rio de Janeiro: Rocco, 2004, p.42.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Torquato Neto

Hai ― Kaisinho

caminho no escuro
que é
que eu procuro?

NETO, Torquato. Torquatália {do lado de dentro}. Org. Carlos Roberto Pires. Rio de Janeiro: Rocco, 2004, p.53.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

país do futuro

Há sempre um consolo: o Brasil já foi pior. Milícias anti-aborto (e milícias portando armas nas comunidades), jovens-classe-média-alta-paulistanos incitando o ódio aos nordestinos, o Enem vindo abaixo após sucessivos escândalos, a polícia-de-sempre-atira-primeiro-pergunta-depois, o mal-disfarçado racismo contra os negros ― para tudo isso há um consolo: o Brasil já foi pior. O que mudou é que não dá bem pra saber. Ah, sim, a (relativa) liberdade de expressão, além de uma tímida melhoria na distribuição de renda (embora continuemos figurando bem mal no Índice de Gini, um dos mais elevados do mundo). No mais, continuamos no mesmo país do você-sabe-com-quem-está-falando, também chamado de democracia. Abertos os ouvidos, a História desse país vai-se contando, nos detalhes, nas conversas miúdas do cotidiano. E assusta. É tão difícil, por vezes, acreditar, que fica relativamente fácil entender o trabalho de varre-memória-para-debaixo-do-tapete, que as vanguardas não se cansam de perpetrar. O que sabe a geração de hoje sobre o país do futuro? O que sei eu sobre a geração de 68?

Na segunda se volta ao trabalho
Torquato Neto
 (publicado em 13/12/1971 – 2ª feira)

Pois eu vou contar uma história.
Sem pé nem cabeça: você sabe com quem está falando? Eu respondi que não e a autoridade mostrou-se ofendidíssima. Foi por isso que explicou assim:
― Polícia.
Ora, eu agradeci, mostrei meus documentos, o cara conferiu que tudo era legal e estava em ordem e em seguida iluminou-se:
― Ora, bicho, esse teu cabelo está muito grande.
Aí eu fui alugar um apartamento para morar. Quem não precisa de um? Quando a gente mora só e tem quem convide, a gente aceita e evita o vexame. Mas quando a gente tem família, o jeito é aquele mesmo: primeiro enfrentar os porteiros olhando desconfiadíssimos para a minha cara enquanto entrega as chaves. Vai a descarta:
― Acho que nem adianta alugar. Parece que já está alugado.
Pelo telefone os caras não me vêem, de modo que a informação é batata.
― É conversa do porteiro.
― Aí eu fui lá, acertar a transa, assinar os papéis e tal. Aí o cara olhou para a minha. Aí ele conferiu muito e aí ele decidiu:
― Tem gente na frente.
Aí eu saí na rua. Primeiro na Tijuca, onde as pessoas se divertem olhando. Depois na cidade, onde as pessoas me cercaram na Rua da Assembléia e gritaram corta o cabelo dele e tal. A gente pensa: vou tomar muita pancada dessa gente.  Eles olham com ódio para o meu troféu. Meu cabelo grande e bonito espanta, espanta não, agride (a tal palavra) e eu me garanto que eu não corto.
História de cabelos...
Um cara suado e de gravata, cara de ódio, passa por mim na Conde de Bonfim, cara de uns quarenta anos, cara de pai de família classe média típico nacional, passa no seu fusquinha e quando me vê dá um berro:
― Cachorro cabeludo.
Inteiramente maluco, o cara. Doido de pedra. Ou não?
Desci do ônibus e saí andando pela Gomes Freire. Vinha uma senhora gorda fazendo compras com um garoto pequeno e um tipo ― filho com jeitão de funcionário público sei lá de que quê. De longe, enquanto eu vinha, eles já sorriam e cochichavam tramando. Eu vi. Bem na minha frente os três pararam e a vanguarda do movimento adiantou-se ― era o garotinho.
― É homem ou mulher?
Eu respondi.
― Mulher.
O rapazinho, o outro, gritou. Atenção: gritou.
― Cala a boca, cabeludo desgraçado.
A mulher deu uma gargalhada e eu passei.
Inteiramente malucos, doidos varridos, doidos de pedra. Ou não?
Aí, crianças, a gente declara novamente: são uns malucos. São uns loucos. São uns totalitaristas: cabeludo não entra. São uns chatos, são loucos, totalmente loucos, e perigosos. É assim que eles estão: doidos, malucos, loucos e perigosos. Ou não?

NETO, Torquato. Os últimos dias de paupéria. 2.ed. Rio de Janeiro: Editora Max Limonad Ltda., 1982, p.199-200.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Torquato Neto

Cogito

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.


MORICONI, Ítalo (Org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p.269.

sábado, 31 de julho de 2010

Torquato Neto: "quem não se arrisca não pode berrar"

PESSOAL INTRANSFERÍVEL

Escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. É o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela. Nada no bolso e nas mãos. Sabendo: perigoso, divino, maravilhoso.

Poetar é simples, como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena etc. Difícil é não correr com os versos debaixo do braço. Difícil é não cortar o cabelo quando a barra pesa. Difícil, pra quem não é poeta, é não trair sua poesia, que, pensando bem, não é nada, se você está sempre pronto a temer tudo; menos o ridículo de declamar versinhos sorridentes. E sair por aí, ainda por cima sorridente mestre de cerimônias, ‘herdeiro’ da poesia dos que levaram a coisa até o fim e continuam levando, graças a Deus.

E fique sabendo: quem não se arrisca não pode berrar. Citação: leve um homem e um boi ao matadouro. O que berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi. Adeusão.
14/9/71 ― 3ª feira

Torquato Neto. Os últimos dias de paupéria. 2.ed. Rio de Janeiro: Ed. Max Limonad, 1982, p. 63.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

"quem não se arrisca não pode berrar"


"E fique sabendo: quem não se arrisca não pode berrar. Citação: leve um homem e um boi ao matadouro. O que berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi." (Torquato Neto, Os últimos dias de paupéria, 2.ed, 1982, p. 63 - publicado originalmente em 14/09/1971) Título da matéria: "Pessoal intransferível", que compõe um verso do poema mais famoso seu, "Cogito": "eu sou como eu sou/ pronome/ pessoal intransferível/ do homem que iniciei/ na medida do impossível."