Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.
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sexta-feira, 22 de abril de 2016
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
segunda-feira, 31 de março de 2014
domingo, 7 de julho de 2013
quarta-feira, 6 de março de 2013
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
cruzada (renato braz e boca livre)
Ontem tive o prazer de reencontrar esta canção, de memória antiga e adormecida. Conhecia-a na voz de Beto Guedes. Com Renato Braz e Boca Livre ficou divina. E quem inspiração foi essa, dos compositores (Tavinho Moura e Márcio Borges)? "Você parece comigo, nenhum senhor te acompanha. Você também se dá um beijo dá abrigo". Belíssimo cruzamento de referências histórico-políticas e pessoais-subjetivas. No limite, afetivas: "Não quero ter mais sangue morto nas veias".
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
uma canção lembrada no meio da tarde
Atravessava a ponte Rio-Niterói, sentido Rio, quase final da tarde, e o olhar se fixava, aleatoriamente, nas muitas embarcações paradas na Baía de Guanabara, aparentemente esperando vez no porto, ou outra vez qualquer. Estranho... olhar e não entender. Por que ficam ali parados? Estariam ancorados? Então comecei a divagar quais deles seriam navios e quais barcos, e daí deslizei a memória para os diferentes nomes que recebem as embarcações, essas estruturas capazes de navegar na água: navio, barco, lancha, veleiro, canoa... como aquela da terceira margem do rio, não o de janeiro. Outros rios. Foi assim que uma música muito antiga e poética veio-me à baila na memória. Trata-se de uma canção de Nelson Angelo e Fernando Brant.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
eu vi o sol morrendo...
Ontem, enquanto voltava, presenciei, pela tangente, um por do sol nunca antes assim entrevisto. Eu tinha, do ônibus, uma fração de paisagem que se movia em lentidão, e então, quando parecia que o sol já havia se posto, percebi, entre ou além dos prédios, um amarelo intenso no céu, filtrado pelas árvores, que pareciam cintilar. Claro que o contraste imediato foi a iluminação artificial do Natal, reservada para a noite. Aquela cintilação momentânea, criada por uma conjunção especial de horário, lugar, olhar, disposição da paisagem, de um amarelo ouro vibrante e intenso, era um presente da natureza a quem se dispusesse a tirar os olhos do aqui e agora. Pensei também que fenômeno tão belo não combinava com a palavra crepúsculo.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
grupos vocais
Uma de minhas predileções musicais são os chamados grupos vocais e instrumentais. Na MPB que chegou até meus ouvidos três ganharam relevo: MPB4, Boca Livre e 14 Bis, este não contando mais com sua formação original, com a saída de Flávio Venturini. No caso do Boca Livre, o grupo passou por várias formações, com um único integrante constante, Maurício Maestro, e atualmente retornou à sua formação dita clássica, mas Zé Renato e Claudio Nucci não voltaram a dividir os vocais do grupo. Há dois dias postei casualmente uma canção do Boca Livre, “Dança do Ouro”, e foi o bastante para uma torrente de lembranças da juventude (em que ouvia muito 14 Bis) voltar, e também perceber o quanto gosto do Boca Livre, sempre gostei, um dos grupos vocais mais sofisticados da MPB, a par do MPB4, que funde (confunde) voz e instrumento, como se pode depreender da belíssima e inspirada interpretação da canção citada. Particularmente aprecio a canção “Ponta de Areia” interpretada à capela pelo quarteto. Neste vídeo há uma teatralidade um pouco engessada pelo Fantástico, mas lá estão os rapazes, inconfundíveis em sua potência vocal.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
quem tem a poesia...
Mutatis mutandis, se quem tem a viola pra se acompanhar não vive sozinho, quem tem a poesia ― ímpar, díspar par ― está a salvo do vulgar.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Boca Livre - O Trenzinho do Caipira
P.S. A melodia de Heitor Villa-Lobos recebeu letra de Ferreira Gullar (aqui)
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
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