Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

distopia

A série Black Mirror mexeu mais comigo que a própria tecnologia que ela encena e questiona. A distopia é o destino ingrato em direção à Singularidade. Não sou mais a mesma depois de assistir a duas temporadas.

O ASSASSINATO DE UM GUERREIRO E A INTOLERÂNCIA CONTÍNUA

Texto daqui. E houve quem aplaudisse o pai. Pai?

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

ameaças do (e ao) subterrâneo - bernardo mello franco

"Vou contar tudo o que aconteceu no impeachment, com todos os personagens que participaram de diálogos comigo. Esses serão tornados públicos em toda a sua integralidade. Todos, todos, todos. Todo mundo que conversou comigo", prometeu o agora ex-deputado. Questionado se havia gravado as conversas, ele respondeu com um sorriso irônico: "Tenho boa memória".
Desde os tempos da Telerj, no governo Collor, Cunha cultiva a reputação de fabricar dossiês contra adversários. A diferença é que ele não pode mais usá-los para acumular poder ou ampliar os negócios. Agora as informações do subterrâneo da política se tornaram a sua última arma para tentar escapar da cadeia.
http://folha.com/no1813104

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Brasil: o que dizer?

SIGLAS
Luis Fernando Verissimo


― Bota aí: “P”
― “P”?
― De “Partido”.
― Ah.
― Nossa proposta qual é? De união, certo? Acho que a palavra “União” deve constar o nome.
― Certo. Partido de União...
― Mobilizadora!
― Boa! Dá a ideia de ação, de congraçamento dinâmico. Partido da União Mobilizadora. Como é que fica a sigla?
― PUM.
― Não sei não...
― É. Vamos tentar outro. Deixa ver. “P”...
― “P” é tranquilo.
― Acho que “Social” tem que constar.
― Claro. Partido Social...
― Trabalhista?
― Fica PST. Não dá.
― É. Iam acabar nos chamando de “Ei, você”.
― E mesmo “trabalhista”, não sei. Alguém aqui é trabalhista?
― Isso é o de menos. Vamos ver. “P”...
― Quem sabe a gente esquece o “P”?
― É. O “P” atrapalha. Bota “A”, de Aliança. Aliança Inovadora...
― AI.
― Que foi?
― Não. A sigla. Fica AI.
― Espera. Eu ainda não terminei. Aliança Inovadora... de Arregimentação Institucional.
― AIAI... Sei não.
― É. Pode ser mal interpretado.
― Vanguarda Conservadora?
― Você enlouqueceu? Fica VC.
― Aliança Republicana de Renovação do Estado.
― ARRE!
― O quê?
― Calma.
― Espera aí, pessoal. Quem sabe a gente define a posição ideológica do partido antes de pensar na sigla? Qual é, exatamente, a nossa posição?
― Bom, eu diria que estamos entre a centro-esquerda e a centro-direita.
― Então é no centro.
― Também não vamos ser radicais...
― Nós somos a favor da reforma agrária?
― Somos, desde que não toquem na terra.
― Aceitaremos qualquer coalizão partidária para impedir a propagação do comunismo no Brasil.
― Inclusive com o PCB e o PC do B?
― Claro.
― Não devemos ter medo de acordos e alianças. Afinal, um partido faz pactos políticos por uma razão mais alta.
― Exato. A de chegar ao poder e esquecer os pactos que fez.
― Partido Ecumênico Republicano Unido.
― PERU?
― Movimento Institucionalista Alerta e Unido.
― MIAU?
― Que tal KIM?
― O que significa?
― Nada, eu só acho o nome bonito.
― MUMU. Movimento Ufanista Mobilização e União.
― MMM... Movimento Moderador Monarquista.
― Mas nós somos republicanos.
― Eu sei. Mas por uma boa sigla a gente muda.
― TCHAU.
― Hum, boa. Trabalho e Capital em Harmonia com Amor e União?
― Não, é tchau mesmo.
― Aonde é que você vai?
― Abrir uma dissidência.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

ativismo

Por questões políticas da máxima urgência, abri uma conta no twitter. A atividade aqui caiu sensivelmente.