Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


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domingo, 9 de setembro de 2012

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Durval Discos


A visita a um site dedicado a certa MPB e seus links relacionados (UM QUE TENHA) fez minha imaginação voar para o psicodélico e bizarro Durval Discos, uma produção que destoa da nota dominante dos filmes nacionais, assumindo um risco análogo àquele vivenciado pelo protagonista. Durval Discos é daquelas narrativas em que tudo começa na mais absoluta normalidade ― para terminar no plano surreal do absurdo. 

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Kleiton & Kledir: Vira Virou


Composição de Kleiton Ramil, indiscutivelmente melhor na interpretação que Kledir, que parece atravessar em sua falta de suavidade (ou sintonia), além de trocar portos por postos, à moda de uma embalagem modernosa. De todo modo, esta é uma bela canção com sotaque de navegação. Tem o mar no coração. Sabe que no outono, mesmo onde não há outono, as folhas caem, levando consigo as uvas que a raposa desprezou. 

quinta-feira, 31 de março de 2011

cinema

Uma das vantagens de ir ao cinema é conferir o trailer de possíveis filmes a assistir. Quase chorei só de ver algumas cenas de As Mães de Chico Xavier: então nem pensar. Mas me pareceu interessante a proposta de A Novela das Oito, inspirado na novela Dancin Days. Nem que seja para respirar novamente aqueles ares de infância indo embora. Havia um estranho fascínio naquelas musas dançantes com suas meias bizarras e coloridas, fascínio que só mais tarde fui entender. Parece que o filme vai mexer no espinheiro da ditadura. Aqui a abertura da novela.

VIPs, o filme

Assisti VIPs e confirmei algumas coisas: Wagner Moura tirando, finalmente, a pele do Capitão Nascimento e vestindo outras personas, confirmando seu talento plural e sua posição de destaque entre os atores de sua geração. A interpretação da música "Será?", do Legião Urbana, comparece como aposta e como versatilidade do personagem: ele imita quem ele quiser, até Renato Russo. No Brasil, o culto às celebridades extrapola qualquer limite de bom senso, e a mãe de Marcelo é um exemplo, com seu painel ilustrativo e suas misteriosas máscaras. Mais do que isso, o pai aparece como uma espécie de fantasma constante e onisciente, a dirigir enigmas ao filho. VIPs confirma que o fundo do poço pode não ter fundo. Um detalhe: quando os Rolling Stones vieram ao Brasil fazer um show ao vivo na praia de Copacabana, uma nota de coluna social questionou a imensa área destinada aos VIPs: 2.000 pessoas. Tamanho contingente numa área dita VIP encerrava uma contradição que dizia respeito à proliferação das ditas celebridades. A mãe e o pai de Marcelo não cansam de repetir-lhe que ele é um zé-ninguém. Pois é.