Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.
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sábado, 5 de abril de 2014
domingo, 2 de fevereiro de 2014
domingo, 8 de dezembro de 2013
futebol brasileiro
Ia falar da última rodada do campeonato brasileiro, a
propósito de uma cena vista ontem no documentário “Edifício Master”, quando a
internet traz a notícia – e as imagens – de uma briga tribal entre torcedores
de dois dos times que estão duelando, conforme linguagem empregada pela própria
mídia para caracterizar os embates da última rodada. Tratava-se, inicialmente, voltando ao documentário de Eduardo Coutinho, da fala do ex-jogador e ex-treinador Paulo Mata, que quando técnico do Itaperuna
entrou nu em campo em protesto contra o resultado na partida contra o Vasco.
Paulo Mata, perguntado sobre o motivo de seu protesto, disse ao
diretor-entrevistador: “o futebol brasileiro...”
domingo, 8 de setembro de 2013
domingo, 31 de março de 2013
caetano veloso não morreu
A conjunção de diferentes signos nos últimos dias levou-me a
sonhar esta noite que Caetano Veloso havia morrido ― logo eu, que não quero que
ele morra, pelo menos tão cedo. Nos arredores deste 31 de março (que não foi um
primeiro de abril), como em outros, aumentam as referências ao golpe de 64 ―
por exemplo, o documentário recém-lançado “O dia que durou 21 anos”. Vi uma entrevista de Caetano ontem, num documentário intitulado “Canções do Exílio”, vi num outro canal o Emílio Santiago cantando, e por fim
num terceiro canal passava o show “Prenda Minha”, em que Caetano interpreta com
muita energia a canção “A Luz de Tieta” (que acabei postando). Então por
que sonhar com a morte dele, num contexto de tanta vitalidade? Só pode ser para
afirmar, por outros caminhos, a força da vida.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
brasil: infância mutilada
À leitura da matéria
publicada n’O Globo de hoje, “Filhos de presos torturados
carregam a dor do passado”, foi inevitável a
comoção, porque violência contra criança ultrapassa qualquer fronteira da
razão ou do entendimento. Uma dessas crianças, Carlos Alexandre Azevedo, submetido à violência dos generais quando tinha apenas 1
ano e 8 meses de idade, suicidou-se na última semana. A mim, nascida em 68,
ocorre-me ter então vivido uma outra face da moeda, passando a infância num
interior rural anônimo, anódino, vazio de experiências e de poucas
expectativas, e que bem depois entendi como também uma forma perversa de fazer
a repressão acontecer, porque não saber de nada é quase nada saber.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
garrafas ao mar: a víbora manda lembranças
Enquanto assistia ao documentário sobre Joel Silveira, lembrei-me de uma
crônica dele lida já faz tempo ― e a memória, seletiva, guardou resquícios desta
e mais duas ou três ― em que ele relatava estar andando sozinho num frio
dezembro europeu (não me recordo a cidade, e talvez seja só minha a impressão
de que era Natal) e deparou-se, de repente, num vitrine de livraria, com um
livro da Clarice Lispector ― creio que Perto
do coração selvagem, se a memória estiver me ajudando ―, e então ele sentiu
seu coração subitamente aquecido, por aquele encontro, por encontrar alguém familiar
na fria distância em que se encontrava, por encontrar uma garrafa lançada ao
mar. Escrever é imperioso ― este é o maior testemunho que ficou da brilhante
geração modernista de cronistas e repórteres brasileiros, porque a literatura era
uma espécie de morada, parada obrigatória deles e delas.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
o síndico (de piaget a pinochet): a realidade como funeral das ilusões
Sobre o documentário Edifício Master (2002), de Eduardo Coutinho: “É de Sérgio [o síndico] a frase mais contundente do filme, ao expor o seu exercício do poder:
de Piaget a Pinochet. Ou seja, ele administra exercendo primeiro o amor, não
dando resultado vem a porrada. Para ele ‘a realidade é o funeral das ilusões’.
O dia a dia enterra discursos mais ternos e empurra-nos (a todos) para diálogos
concretos, ficando-se assim expostos às verdades cruas, por mais duras que
sejam, e as mentiras engendradas perdem-se na própria falta de sentido.” (daqui)
domingo, 9 de setembro de 2012
UMA NOITE EM 67 (documentário completo)
entrevistas e vídeos com chico buarque, caetano veloso, roberto carlos,
sábado, 30 de junho de 2012
quarta-feira, 20 de junho de 2012
domingo, 9 de outubro de 2011
The Woman With The 5 Elephants (documentário)
sábado, 10 de setembro de 2011
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Memorial da Resistência (curta / documentário)
Memorial da Resistência from Mauricio Domene on Vimeo.
Também no Youtube. "Anualmente, a UNESCO promove o FIAMP, Festival Internacional do Audiovisual e da Multimídia sobre o Patrimônio. Este ano [2009], o vídeo brasileiro 'Memorial da Resistência', realizado pela produtora de audiovisual Preto e Branco, com trilha sonora de Mauricio Domene, do Estúdio Next, ganhou o Grand Prix na categoria Curta Metragem. O vídeo é exibido em uma das salas do antigo prédio do DOPS, Departamento de Ordem Política e Social, numa exposição permanente chamada Memorial da Resistência, que retrata as condições e o tratamento recebidos pelos presos políticos durante o Regime Militar brasileiro, de 1964 a 1979. A trilha sonora para o vídeo foi toda composta com sons de piano preparado. Esta técnica, criada por John Cage, consiste em produzir sons quase estranhos, obtidos a partir de batida na madeira, arranhaduras nas cordas e colocando-se objetos próximos a elas." (AQUI). Memorial da Resistência de São Paulo.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
quinta-feira, 2 de junho de 2011
sábado, 12 de fevereiro de 2011
De volta ao quarto 666 (entrevista com Wim Wenders)
A proposta reinveste sobre o que Wim Wenders fez em Quarto 666, tomando-o como entrevistado sobre o futuro do cinema. Mas se então o debate girava em torno do cinema e a emergência de novas mídias, como a televisão e o VHS, a possibilidade de assistir o filme em casa, o que conferia uma tônica de pessimismo às falas dos entrevistadoss, conforme o próprio Wenders pontua, sua posição, cerca de 20 anos depois, é otimista em relação ao cinema, otimista demais talvez, e o alvo que ele tem em mira é bastante problemático: "...as pessoas precisam do cinema, precisam desse instrumento, mais do que qualquer coisa. Todos nós sabemos que a 'palavra', a 'palavra falada' ou a 'palavra escrita', pertencem à cultura do passado. E que o futuro de nossa cultura é a 'imagem'. E este futuro recém começou." Há muito que se anuncia o fim do conhecimento centrado na palavra. A conclusão da entrevista é decepcionante, vinda de um cineasta como Wim Wenders, cujo brilhantismo da obra dispensaria esse triste papel de advogar em causa própria.
domingo, 23 de janeiro de 2011
"Nós que aqui estamos por vós esperamos" (Marcelo Masagão, 1999)
Trata-se de um documentário/ficção com proposta muito peculiar, e o motivo de seu espantoso título só se revela ao final. "Um dos melhores e mais originais filmes brasileiros da década de 1990" (Cine Repórter). Seus únicos recursos são música, fotografias / imagens de arquivo e pequenos textos curtos, que funcionam como comentários. Na conjunção desses três elementos o século XX desenha-se ante o espectador, numa visão melancólica, que culmina na cena que traz o título do filme.
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