Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


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sábado, 22 de outubro de 2011

e. e. cummings

Não sei se consigo ler e. e. cumings: o próprio conceito de leitura é distorcido diante de suas intercalações e cortes abruptos (tmese, conforme Augusto de Campos). Mas isso não impede de apreciar a beleza de suas criações, ou esperar uma nova rodada para que o obscuro se dê ao entendimento.

A música é de John Cage e a voz de Robert Wyatt (aqui).

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Milonga de Los Morenos (Jorge Luis Borges e Vitor Ramil)

AQUI na versão acústica, com participação de Caetano Veloso.

Em tempo: ontem Jorge Luis Borges foi homenageado por um doodle do googlefaria 112 anos. Já o dia de hoje marca, segundo o blog Fernando Pessoa para todas as ocasiões, 111 anos da morre de Nietzsche: no mar das efemérides, nascimento e morte parecem se equivaler, aliás como Borges encenou em muitos contos seus. Já Nietzsche preferiria ser lembrado pelo seu nascimento, salvo engano. 

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Sudoeste - Adriana Calcanhoto / Jorge Salomão


tenho por princípios / nunca fechar portas / mas como mantê-las abertas / o tempo todo / se em certos dias o vento / quer derrubar tudo?

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Vitor Ramil, délibáb, milongas...



Não conhecia o trabalho de Vitor Ramil, sequer sabia de sua existência. Foi um amigo do sul que me falou dele, ano passado, pela primeira vez. Ontem tive a oportunidade de conferir seu show, lançando o disco Délibáb. Há comentários muito bons sobre o novo trabalho do cantor e compositor gaúcho, em parceria com o excelente músico argentino Carlos Moscardini (como aqui), de forma que posso me dispensar de detalhes para dizer que as canções do novo disco, que na verdade são poemas de Jorge Luis Borges e  João da Cunha Vargas musicados, são lindas. E aí entra o délibáb, palavra de origem húngara que significa algo como ilusão ao sul, miragem. Esse imaginário aparece na melancolia das canções, na voz suave e ao mesmo tempo potente de Vitor Ramil, no violão preciso marcando a cadência dos versos e da voz. 

terça-feira, 26 de outubro de 2010

"Satolep": Vitor Ramil



Um compositor e cantor cuja música conheci recentemente, por intermédio de um amigo do sul, e que agora descubro ser também escritor. Em que mundo eu andava? Segue o link do site oficial (aqui).

domingo, 26 de setembro de 2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Manuel Bandeira: um poema musicado

Baladilha arcaica

Na velha torre quadrangular
Vivia a Virgem dos Devaneios...
Tão alvos braços... Tão lindos seios...
Tão alvos seios por afagar...

A sua vista não ia além
Dos quatro muros que a enclausuravam,
E ninguém via ― ninguém, ninguém ―
Os meigos olhos que suspiravam.

Entanto fora, se algum zagal,
Por noites brancas de lua cheia,
Ali passava, vindo do val,
Em si dizia: ― Que torre feia!

Um dia a Virgem desconhecida
Da velha torre quadrangular
Morreu inane, desfalecida,
Desfalecida de suspirar...

BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. 20. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003, p.96.

Uma boa surpresa: encontrei uma versão musicada do poema, pela cantora Ana Cristina ― segue o link da Rádio UOL (aqui). Site oficial da cantora (aqui).