Depois de quase duas semanas, a morte de Lô Borges consegue encontrar um lugar de apaziguamento em mim. Lô Borges e Milton Nascimento criaram, junto a uma trupe de compositores e letristas talentosíssimos, o movimento musical que entrou para a história da MPB como Clube da Esquina, história muito bem contada no livro "Os sonhos não envelhecem". Dentre as muitas canções de Lô Borges, "Trem de Doido" ocupa um lugar especial, por fazer parte do movimento antimanicomial no Brasil. Mas são tantas outras canções que aprecio ouvir que se trata de uma escolha quase arbitrária. Eu não sabia que gostava tanto de você, Lô. Para sempre vou te amar.
Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.
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segunda-feira, 9 de abril de 2012
quarta-feira, 20 de julho de 2011
aos amigos (sem o possessivo)
Hoje (mas já quase deixando de ser, pelo avançado da hora) é dia do amigo. Ontem me encontrei com minha queridíssima Maria Fernanda, sem adjetivos que cheguem, e muita coisa conversamos no café da Travessa. A nenhuma de nós duas, durante toda a tarde e a conversa, ocorreu que o dia seguinte seria dedicado ao amigo. As efemérides atendem a coisas muito distintas da imagem que projetam, e por isso o dia do amigo não vende, não se transformou em anúncio de perfume, roupa ou celular. Amizade, arte, cinema, música, literatura, Clarice Lispector, minha paixão por Bob Dylan... muitas coisas tomaram corpo nas palavras com que íamos tecendo a tarde. No entanto, um dos primeiros temas da tarde, enquanto as esquinas do Centro iam mostrando suas possibilidades de um lugar para sentar sem muita agitação, foi o Clube da Esquina. Também falei deste espaço, do inusitado de me comunicar com pessoas que, em boa parte, não conheço pessoalmente, mas que despertam minha simpatia, algo que parece ser recíproco. Por seu turno, são poucos os amigos do mundo real que frequentam este meu outro lado, simplesmente porque não lhes parece dizer respeito, e está tudo bem que seja assim. Estão em outra vibe. Nas projeções da linguagem que este espaço faculta, novas vibes vão se produzindo. A tarde com a Maria Fernanda é insubstituível, porque a própria Maria Fernanda o é. Mas também não posso mais prescindir de escrever, esse ecoar da voz sem rumo certo. Então com a linguagem é possível entreter uma relação de amizade, que permeia as próprias relações. Fiquei particularmente sensibilizada ao revisitar, via sessão de análise e Clarice Lispector, a questão do simbólico. Foi tão forte que chorei na sessão e, na minha sensação de impotência, a analista percebeu a delicadeza de tudo e silenciou. Quando me encontrei com Maria Fernanda, a primeira coisa que disse é que havia chorado na sessão. Sem isso, esse poder falar, não haveria a leveza da tarde que se seguiu, o muito que coube no encontro. Os encontros e suas esquinas. As esquinas dos encontros. Nas esquinas, o encontro.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
de repente começa a tocar no som do vizinho, bem baixinho...
Quando
ouvi esta canção pela primeira vez (ou pelo menos na recordação mais antiga que
tenho de tê-la escutado), descobri que gostava muito dela, do que estava
ouvindo. Não era uma música a mais, era uma música antiga e atual, uma música
de acordes suaves, uma canção que trazia uma estranha calma, tudo isso com
muita beleza, numa gravação, tornada clássica, de Lô Borges. A roupagem dada por Flávio Venturini ficou, não igualmente bonita, mas à altura do que a canção pede como interpretação. De tudo se faz canção... e o coração na curva de um rio, rio,
rio... Não sei se o movimento musical Clube da Esquina tomou
emprestado o nome desta música ou vice-versa. Mas ela é a identidade do movimento.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Paisagem da Janela (por Beto Guedes)
[música de Lô Borges e Fernando Brant / versão de Lô Borges aqui]
domingo, 17 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Estrelas (Lô Borges e Márcio Borges)
"Poeira, na noite / a festa da noite / Guerreira, estrela da morte / festa negra amor / mas é tarde". No CD Clube da Esquina. Melodia bonita. Interpretação meio cósmica. Quase uma música incidental no disco.
sábado, 9 de outubro de 2010
"viajar é mais" (Toninho Horta)
O post "a história de um jipe" tem estado entre os mais visitados. Sinal de que o Clube da Esquina tem boa música a oferecer. Ou então de que a fantasia de um manuel, o audaz revigora a imaginação. Tomo notícia da existência de um documentário, "A Música Audaz de Toninho Horta" (informações aqui).
sábado, 11 de setembro de 2010
Clube da Esquina: o álbum
Não há adjetivos que cheguem para o álbum Clube da Esquina: uma torrente de surpresas e emoções e sensações e, por fim, algo parecido com o sublime: "San Vicente". Mas também "Um Girassol da Cor de Seu Cabelo", "Paisagem da Janela", "Cais", "O Trem Azul", "Tudo que Você Podia Ser", "Um Gosto de Sol", "Nada Será Como Antes" e, claro, "Clube da Esquina nº2", apenas melodia e a voz do Milton, mas já tão incorporada ao imaginário que é como se a letra estivesse ali, e fosse só cantar... e basta contar compasso, e basta contar consigo, que a chama não tem pavio, de tudo se faz canção e o coração na curva de um rio, rio, rio...
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