Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


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domingo, 14 de outubro de 2012

Lino Machado

BESTIÁRIO

Homens-pomba
podem
ganhar um Nobel
porém
eles nem sempre
conseguem impor
alguma paz.
Homens-pomba:
quase nunca
implodem
injunções e suspeitos
edifícios
inter
nacionais.
Homens-pomba,
ao menos
não se percam
nos percalços
entre cães, falcões
e bichos mais.

Lino Machado. Sob uma capa. Vitória: Secult, 2010, p.40.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Lino Machado

Comunicado:

“Urgente, amigos.
(A hora é grave.)

Agora
como está evidente
que o mundo
começou a morrer ― depressa!
precisamos correr
se pretendemos
exterminar
o máximo de gente.”

Lino Machado. Sob uma capa. Vitória: Secult, 2010, p.101.