Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


Mostrando postagens com marcador perguntas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador perguntas. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

amor

Escreve o poeta: “Tudo será perdoado aos que amaram muito.” De que qualidade de amor ele fala?

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

uma pergunta

Mas será que as pessoas, essas mesmas que se aboletam nos shoppings ou nas filas de consumo, já se fizeram a pergunta: o que estou fazendo (ou deixando que façam) com meu corpo? Antes de saber o que era corpo eu já intuía que me faria muitas vezes essa pergunta. E quando me distraí dela a vida pareceu tomar o aspecto de um grande erro, erro no sentido mais nocivo do termo. Nada contra os erros, é com eles que se aprende ― diz-se amiúde. Mas alguns erros parecem padecer de uma estranha exterioridade, resistindo a serem assimilados pelo ego que perdoa. Nesses erros que gritam o corpo está falando, pedindo para ser ouvido. Não importa a escolha que se faça, cedo ou tarde ela chegará ao corpo. Este corpo que escreve, respira, faz compras, ama, odeia, vai à praia, cria. A única fortaleza que se possui.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

cogumelos

― Mariana, você já conseguiu encontrar seus cogumelos?
À pergunta, tão sem nexo aparente com o restante, mas tão acertada, eu respondi que sim, não sem antes titubear ― o mote era o texto de Paulo Mendes Campos sobre Alice, a frase: Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.” Encontrar os cogumelos. Essa pergunta, tão simples, tão exata, eu ainda não havia me feito; entretanto foi simples responder: sim, já encontrei. 

quinta-feira, 30 de junho de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

Caetano Veloso: Cajuína


Anterior à pergunta que norteia esta canção, sondando o destino, na belíssima homenagem a Torquato Neto, há outra, formulada pelo narrador-especulador do conto “O espelho”, de Guimarães Rosa: "Você chegou a existir?"

domingo, 23 de janeiro de 2011

perguntas

How many roads must a man walk down
Before you call him a man?

How many years can some people exist
Before they’re allowed to be free?

How many times can a man turn his head
Pretending he just doesn’t see?

How many times must a man look up
Before he can see the sky?

How many deaths will it take till he knows
That too many people have died?

The answer, my friend, is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind.

Copyright © 1962 by Warner Bros. Fonte: site oficial de Bob Dylan.