Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quarta-feira, 28 de março de 2012

millôr fernandes

3 comentários:

Helena Dias disse...

Uma morte que também sentimos deste lado de cá!
Estamos de luto.

Beijo, Mariana

Mariana disse...

Cara Helena, foi-se alguém que fez convergir, de forma pouco comum, erudição e humor. Num texto chamado Decálogo de Verdadeiro Humorista, disse:

III - Para escrever, o humorista deve escolher sempre o assunto mais sério, mais triste, mais chato, ou mais trágico. Só um falso humorista escreve sobre assuntos humorísticos.

E escreveu isso em 1969, falando de Chico Anysio, que se foi com ele esta semana: "Num mundo de tanta cuca fundida é um dos raros que podem garantir a própria saúde mental". Pois a terapêutica do humor é esta: garantir a própria saúde mental.

Obrigada, Helena.

Beijo.

Cristiano Marcell disse...

Bela homenagem!Gosto muito da obra dele, sobretudo os haicais!