Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sábado, 10 de agosto de 2013

autismo

Me disseram que eu tenho um blog autista. Que seja. É uma forma de viver.

3 comentários:

Jamil P. disse...

gente do céu, que observação mais maldosa...

só pra registrar, eu não sou dessa opinião

Mariana disse...

Oi, Jamil, acabei rindo com seu comentário, e o humor é sempre bom.

No caso da referida fala, o fato de haver registrado-a, primeiro na memória, depois na escrita, diz de certo incômodo meu ao ouvi-la. O que está pressuposto nela é a quantidade (lato sensu), salvo engano, assim como o que está pressuposto em seu comentário me parece ser a qualidade. Eu vivencio situações por vezes bizarras, e vou aprendendo com elas. No caso, quando escuto o que as pessoas dizem, estou aprendendo sobre elas, as pessoas.

Muito obrigada por vir sempre aqui.E pelo comentário espirituoso. Somos seres de linguagem, vivemos nela e nos fazemos através dela.

Abraço.

Jamil P. disse...

pois é, se estão te chamando de autista agora, imagina na copa

é sempre um prazer conversar contigo ;)