Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 8 de outubro de 2013

eu, eu, eu...

Talvez, no enunciado “estou sofrendo...”, a questão não seja alterar o verbo, mas a pessoa do discurso, pois o “eu” parece imperar absoluto no reino do sofrimento. Não se trata de mudar de domínio: enquanto houver “eu” haverá sofrimento. “O eu faz parte das coisas que é preciso dissolver”. (Deleuze, A ilha deserta, p.249).

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