Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


domingo, 16 de novembro de 2014

devil inside

15 comentários:

Jamil P. disse...

no limiar entre o rock e o pop; graças à guitarra ainda dá pra chamar de rock...

Mariana disse...

um soft rock, quem sabe; mas há nessa música uma homenagem aos Stones.

Jamil P. disse...

bem lembrado, soft rock... aliás, é um gênero que eu abomino

sério? eu não sabia dessa homenagem... até procurei ver alguma relação com sympathy for the devil por exemplo mas não encontrei nada

Mariana disse...

na sonoridade

Jamil P. disse...

eu só acredito porque você está me dizendo

Mariana disse...

:)

Olha, essa é uma intuição um tanto impressionista minha: percebi, ao ouvir este som do INXS, certa semelhança com "Satisfaction", na sonoridade mesmo, alguma coisa epidérmica que me fisgou. Aí linkei com a outra canção do Stones, de título afim. Só isso.

Jamil P. disse...

uau, admiro sua capacidade de associação! acho que eu jamais teria a sacada para estabelece essa relação num estado de plena consciência :)

a propósito, soube do suposto plágio entre a nova canção do bowie e cais do milton?

Mariana disse...

Não, fiquei sabendo não. Nem sempre fica claro o limite entre o plágio e a homenagem. Às vezes o deboche mesmo.

Vi uma vez um programa da MTV elencando casos notórios de plágio, inclusive envolvendo o plágio de uma canção do Jorge Ben Jor por um cantor pop americano.

Outro dia, ouvindo casualmente uma banda, percebi nitidamente as notas iniciais de "Angra dos Reis", do Legião.

Um caso curioso foi narrado por José Miguel Wisnik: os versos iniciais do samba "Com que roupa?", do Noel, tinham a mesma melodia do "Hino Nacional". Alertado por um amigo, a melodia foi alterada

http://veja.abril.com.br/131200/pompeu.html

Jamil P. disse...

aqui conta um pouco da história, que permanece para mim intrigante e não menos misteriosa http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/10/1534723-peritos-discordam-sobre-plagio-de-david-bowie-com-musica-de-milton.shtml

plágio, enquanto tal, é algo repudiável; não vi esse programa da mtv, mas acredito que aconteça com certa frequência no meio musical; já a homenagem é algo bonito e que descaracteriza o puro e simples plágio; creio em sua legitimidade inclusive porque depois de tantos séculos de música não me parece tão espontâneo e fácil criar uma melodia interessante absolutamente nova

muitas vezes isso também me ocorre, de estar ouvindo uma música e algo nela me lembrar de outra de outro conjunto musical etc; ontem mesmo eu ouvia a clássica planet rock do soul sonic force e percebi em certo momento a melodia principal de trans europe express do kraftwerk; achei incrível porque já tinha ouvido centenas de vezes mas nunca tinha notado... fiz então uma rápida pesquisa na internet e descobri que se trata de uma homenagem etc; de repente a banda que você estava ouvindo só quis também prestar uma homenagem ao legião urbana...

realmente curioso esse caso citado pelo wisnik;

Jamil P. disse...

ps. wisnik não, pompeu de toledo, você leitora da imprensa golpista me induziu ao erro... ;P

Mariana disse...

Deus me livre da imprensa golpista (agora plagiando Machado: "Deus te livre, leitor, de uma ideia fixa").

Na verdade eu vi primeiro num artigo do Wisnik, depois encontrei disseminado na internet (mas certamente o achado não é do cronista citado, que encontrei aleatoriamente para justificar a menção ao caso).

De fato, sobre as homenagens, seu raciocínio é pertinente, originalidade num mundo saturado de criação deve ser mesmo difícil. Agora, não dá pra simplesmente faturar em cima da criação ou ideia alheia, como é mais comum do que a gente imagina.

Homenagens são legais, porque reconhecem (e citam) o valor do antecessor, do precursor.

Jamil P. disse...

oba, sempre bom lembrar nosso machadão velho de guerra! de onde é essa passagem, que a idade já me faz cada dia mais esquecido das coisas?

entendi; então tá desfeito o equívoco, cara leitora da imprensa chapa branca ;P

verdade; por isso até eu pensei ser muito pouco provável o bowie plagiar o milton; ele não precisaria disso, jamais; a ideia de homenagem caberia - ainda que atuem em searas musicais totalmente diversas - e seria bastante simpática, mas se nem isso ele reconheceu, acredito que realmente se trate de uma enorme coincidência...

Mariana disse...

"Memórias Póstumas de Brás Cubas", livro terrível de tão bom. É desse livro outro dito célebre, "Valha-me Deus!é preciso explicar tudo", que de vez em quando eu saco numa aula.

Mas o mais engraçado é citar uma passagem do Machado como "engraçada" e ninguém rir...

Jamil P. disse...

sim, sim, memórias póstumas, uma das nossas maiores pérolas literárias

então os discípulos não possuem o mesmo humor e entendimento refinados que a mestra

Mariana disse...

:)