Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

sentimentos ínfimos (ou o desejo de silêncio)

Alhear-me, esquecer, não sentir (tanto) as pressões incessantes do mundo, contas (de variada natureza), cartas que chegam por todos os meios. O que simplesmente acontece. Fatos (abre aspas):

...fatos
são pedras duras.

Não há como fugir.

Fatos são palavras
ditas pelo mundo.


Alhear-me, e experimentar o supremo prazer de poder ficar quieta. 

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