Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 3 de novembro de 2015

Ah!

Procurei uma palavra sob que me proteger. Pensei na palavra paz. Mas logo percebi o engodo. A palavra paz não protege, não guarda ninguém. Ela é pequena demais para isso, escudo impróprio, e tem no centro um enorme a, vogal aberta, vazada, que a tudo dá passagem.

Um comentário:

josépacheco disse...

Terrível. Brilhante.