Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


domingo, 17 de janeiro de 2016

a morte

Uma das fábulas de Millôr Fernandes termina pela seguinte fórmula: o importante não é a morte, é o que ela nos tira. Quando me pergunto o que a morte de David Bowie me tirou, descubro que a fórmula de Millôr talvez merecesse revisão. A morte importa na medida em que nos tira algo, essa é a sua dimensão. Ela importa, incomoda, pelo que tira, subtrai. 

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