Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sexta-feira, 15 de abril de 2016

luto

Queria ter o talento e o humor de Xico Sá. Mas tudo o que consigo dizer é que sinto tristeza. Sinto que nada será como antes. Tristeza. Paralisia. Sou profundamente solidária a essa mulher que (ainda) ocupa a Presidência da República. Percebi, desde o começo de 2015, que alguma coisa podia desandar. E eis que estamos à beira de um colapso. É amargo o que uma parcela da população brasileira, na qual me incluo, está vivendo. Amargo, triste, sem esperança. Eu queria não ser muitas coisas. Queria não precisar estar passando por esse momento. Continuo profundamente solidária a Dilma Rousseff. Boa e Velha República: uma vez golpista, sempre golpista. Até que um dia, quem sabe, esse país poderá oferecer alguma coisa de melhor para quem nele, sem escolha, tenha de nascer. 

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