Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quarta-feira, 25 de maio de 2016

desabafo no calor da hora - por alberto pucheu (via facebook)

"o golpe escrachou para todo o país que não temos lei, que vivemos um estado de exceção. a presidenta, diga-se, a honestidade em pessoa (a única nesse quesito totalmente ilesa até agora) e representante maior do poder, foi derrubada, evidenciando simultaneamente em todo o processo os criminosos que deram o golpe. como se não bastasse o que vimos na câmara, como se não bastasse a não punição de cunha e da maioria dos bandidos da câmara, como se não bastasse a fala de bolsonaro no dia (e a de tantos outros) e em tantos outros dias, como se não bastasse a evidência de um senado integralmente comprometido, como se não bastasse a evidência do supremo comprometido, dos altos empresários e da fiesp comprometidos, as gravações desses dias provam de algum modo os participantes do golpe, que não apenas estão soltos, mas estão governando o país, tendo o golpe sido dado. mas não basta isso, é preciso a cada minuto um ato pior, é preciso revogar o que antes sustentava alguma possibilidade de vida, é preciso lançar-nos a cada dia num ainda pior, de modo que, quando, a cada momento, pensamos que chegamos ao fundo do poço, vemos que não, vemos que o poço que querem criar não tem fundo. trata-se evidentemente de tirar o fundo, mesmo que na cara de todos. está sendo assim na revogação das conquistas em todos os níveis. foi assim na formação do ministério e, na extinção dos ministérios do pensamento, da criação e da diversidade. hoje, como mais um elemento sórdido, alexandre frota, que já se gabou em pleno programa de auditório de ter estuprado uma mulher dando detalhes de como havia feito a um auditório que ria, foi pautar o ministério da educação, recebido pelo ministro, que certamente compactua com ele. no momento, não consigo desvincular o horror do estupro na moça cometido pelos 30 criminosos dessa suspensão absoluta da lei que estamos vivendo da maneira mais evidenciada possível, que foi criada pelos bandidos que governam esse país. lembremos do senador perella, o traficante de cocaína, sendo senador e votando contra dilma, claro. dilma foi simbolicamente estuprada pelos bandidos machos. a moça foi literal e realmente estuprada pelos bandidos machos. a bandidagem pode tudo, é o sinal do supremo (é o sinal supremo), do congresso, da mídia, da fiesp, desses bandidos majoritários, fabricando um mundo sem lei. o brasil nunca foi afeito ao cumprimento da lei, mas agora chegou num nível insuportável. é o horror o que querem."
Alberto Pucheu: http://www.albertopucheu.com.br/

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