Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


domingo, 23 de setembro de 2018

vocação para o passado

Invariavelmente a banda que anima o barzinho da esquina toca legião urbana e capital inicial. O país não sai dos anos 80, e tudo indica que quer retroceder mais. “Nas favelas, no senado / sujeira pra todo lado.” Como assim, nivelar as favelas ao senado? O país não sai desse ponto, de Jânio Quadros e sua vassourinha pra varrer a corrupção. O problema não é a corrupção (ninguém parece ter ouvido falar em transparência internacional), mas a distribuição de renda.