Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

roberto arlt, do conto "escritor fracassado"

“Sou um burguês egoísta. Reconheço. E é por isso que nada chega a me indignar de verdade. Seja bom ou mau. Também não experimento um desejo ardente de deslumbrar meus semelhantes. Se eu disse em alguma ocasião que sofria quando não conseguia escrever, é mentira. Afastei-me da verdade para enfeitar minha personalidade com um atributo capaz de torná-la interessante.”

Roberto Arlt. As feras. Trad. Sérgio Molina. São Paulo: Iluminuras, 1996, p.63.

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