Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 20 de novembro de 2012

acerca da dificuldade do amor

O desamor encerra uma espécie de muro imperceptivelmente erguido apartando sentimentos que seriam, justamente, alimento, e alimentados, pelo amor. Na impossibilidade de transpor simplesmente este muro, há a esperança de que ele possa ser minado, pelo menos um pouco, pela necessidade do amor, em especial o fraterno, sem prejuízo do outro. Quem sabe alguma coisa floresça.

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