Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

o perigo em torno do Batman criado pela Veja

3 comentários:

Jamil P. disse...

é claro que a veja sempre foi tendenciosa etc, como a maior parte da imprensa; curioso também o gesto obviamente combinado entre os mensaleiros condenados; mas o que mais me espanta mesmo é como eles conseguiram arrecadar tanto dinheiro em doações e o porquê de precisarem disso, uma vez que só o genoíno, p.ex., é dep.fed. há séculos, recebendo um salário de no mínimo 25 mil reais/mês, e ainda assim não consegue grana pra pagar a multa; quer dizer, gastam com quê?? eu já nem comento mais esses assuntos envolvendo política etc porque pra mim há muito tempo eu não tenho um pingo de esperança no futuro deste país

Mariana disse...

sim, concordo, pode estar havendo um esquema de lavagem de dinheiro nessas arrecadações. particularmente não considero o genoíno corrupto, mas o fato é que há muito nós perdemos um patamar seguro de onde avaliar o que está acontecendo, se é que alguma vez esse patamar foi de fato confiável.

não é, para mim, uma questão de esperança, mas de apreensão quanto ao desenrolar dos acontecimentos, pois se precisamos de um suposto herói pra fazer valer as leis, isso significa a falência das instituições democráticas.

a legitimidade do stf, sua independência, foi construída como tudo o mais que mantém esse país como uma democracia, ainda que entre aspas. então agora o ministro que preside o stf aparece como o guardião da lei... isso é uma mentira, uma comédia articulada, ou quem sabe uma tragédia mesmo, porque ele não poderia estar aparecendo como o "homem da lei", aquele que faz com que ela seja cumprida. numa democracia a lei não precisa de guardiões, porque é reconhecida por todos.

Mariana disse...

um ps:

esqueci de concluir o raciocínio: a apologia a um justiceiro-mor (a figura de joaquim barbosa) coincide, no meu entender, com a atitude dos "justiceiros" do bairro do flamengo, cujas ações ganharam repercussão nas redes sociais depois da postagem da lamentável e triste imagem daquele adolescente acorrentado a um poste, numa ação de barbárie.

a revista veja veiculou matéria condenando de modo complacente os justiceiros ("é natural"), e se o fez é porque ela "entende" e "explica" a seus leitores cativos o que está acontecendo. o texto a seguir vem eivado de preconceitos, e é praticamente ilegível:

http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/cultura/os-justiceiros-do-flamengo-ou-nos-nao-podemos-ser-como-eles/

Esse discurso das "pessoas de bem", da "população ordeira", a gente sabe muito bem aonde leva... quer dizer: "justiceiros" pode levar a "justiceiro". também por isso postei o vídeo do filme watchmen.

mais interessante é a abordagem do site da BBC Brasil:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/02/140214_justiceiros_rio_jp.shtml