Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quinta-feira, 27 de março de 2014

asterismo

Já me disseram que eu complico demais as coisas... Fazendo uma analogia para traduzir a ingenuidade do pensamento, considere-se o jogo de ligar os pontos. Há os que têm menos pontos a unir, ou os pontos estão dispostos de forma tal a dar rapidamente uma figura reconhecível ou dominável pelo imaginário. Eu tenho mais, muitos aliás, pontos a unir, e eles não chegam a formar uma figura, muito menos com sentido facilmente reconhecível — pelo menos até agora.

Um comentário:

Jamil P. disse...

para que simplificar se podemos complicar, né? rs
já os meus [pontos] acho que são como os de uma tapeçaria, se fazem algum sentido, só se percebe vendo-se do outro lado; esta vida parece estar do avesso