Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quarta-feira, 19 de março de 2014

lua eventual

2 comentários:

Jamil P. disse...

gostei!
a 1a (de cima p/ baixo) me lembrou uma bola e uma rede, futebol ou voley; portanto, você marcou um gol ou um ponto, parabéns;
na 2a eu gostei da saturação e da captação de outras fontes luminosas que se assemelham à lua, o conjunto ficou legal; nesta, foram vários gols ou pontos! rs
a 3a, embora seja a lua nua se exibindo quase inteira, pareceu-me a menos interessante, enfim

Mariana disse...

Jamil, obrigada pela leitura instigante.

A primeira e a segunda são efeitos da máquina tentando capturar a lua (apesar dos limites da objetiva de médio alcance: ainda não parei para ver qual é a de longo alcance a ser adquirida). Conforme mudava o programa, ia obtendo diferentes efeitos. A terceira é uma imagem ampliada, de uma lua que já não está cheia. Esteve linda esses dias, mas para mim a lua é sempre linda, sempre um contraponto a nossa finitude.

Ontem, depois da análise, fui passear na orla da Barra, estava tudo maravilhoso, a areia, o contato das pés com a água do mar, mas nada da lua. De repente, enquanto caminhava distraída no percurso de volta, em direção ao ponto de ônibus, ela apareceu, linda, em seu amarelo único, no meu campo de visão.

As imagens são da segunda à noite, da janela da minha casa.