Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

João Sobral canta Belchior - Alucinação

3 comentários:

Jamil P. disse...

nossa, eu li joão cabral... alucinação? :D

Mariana disse...

Cabral:

"Eis uns poucos exemplos
de ser a palo seco,
dos quais se retirar
higiene ou conselho:

não de aceitar o seco
por resignadamente,
mas de empregar o seco
porque é mais contundente."

Jamil P. disse...

pois é, a inspiração é direta, e, assim, curiosamente belchior fez - de certa forma - aquilo que joão cabral considerava, em vinícius, um desperdício, ao não se dedicar integralmente à poesia: colocou a poesia do cabral em música...