Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 28 de julho de 2015

oitavo andar

Moro no oitavo andar, como diz a música. Na verdade, contando o play e os dois pisos de garagem, moro no 11º. Trata-se de imóvel alugado, cujo contrato, recentemente renovado, encerra-se em 2017. Como o condomínio do prédio deixa muito a desejar, impõe-se, quando o contrato encerrar, procurar outro imóvel, maior de preferência. Também alugado. E de novo em andar alto. A maré econômica não está dando trégua, e torna-se remota a hipótese de financiar um imóvel — as condições (entrada e juros) pegaram o elevador da crise, resposta para quase tudo que está ruim no país. Aos bancos e aos graúdos que estão no comando da economia do país não interessa que o brasileiro comum tenha condições facilitadas, humanas, de adquirir um imóvel. Então se aluga um. De mais a mais, a que (ou a quem) ainda serve o sonho da casa própria? Que mito se esconde aí? Talvez o de poder bater um prego na parede sem ter que explicá-lo (depois). Ao diabo todos os proprietários de imóvel, que impõem, mediante o disfarce da lei, condições azedas a quem simplesmente quer morar em paz, pagando em dia por isso. Ao diabo. 

4 comentários:

sonia disse...

Assino embaixo.

Mariana disse...

Há pelo menos um consolo: os analistas costumam dizer que comprar não é um bom investimento, ao contrário do senso comum que diz que alugar é jogar dinheiro fora.

http://queroficarrico.com/blog/2015/06/11/comprar-ou-alugar/

http://www.infomoney.com.br/blogs/controle-financeiro/post/3466744/quando-alugar-melhor-que-comprar-imovel

A questão não é investimento em si, mas o custo alto para morar, alugando ou comprando, e as condições impostas em ambos os casos. Nosso país é surreal.

sonia disse...

Já tive um apartamento simples no bairro do Butantã, SP, e quando precisei vendê-lo fiquei 2 anos pagando IPTU, condomínio e telefone até aparecer comprador, que ofereceu bem menos do que valia. Eu vendi na hora.
O mesmo com uma casa de praia. Vendi bem abaixo do valor apenas porque estava dando muita despesa e ficava num lugar meio perigoso, apesar de encantador (sujeito ao ataque de bandidos).
Se alguém me dissesse na época que era bobagem o que estava prestes a fazer eu não ia dar ouvidos. Queria por razões que não vem ao caso detalhar, ter uma casa na praia e a casa própria. Apesar de ter feito bom uso de ambos, hoje pago aluguel e prefiro, se quiser ir para a praia, ficar numa pousada!

Mariana disse...

Sou muito indisciplinada financeiramente. Para comprar um imóvel, iria me encalacrar em dívidas, comprometendo a minha própria liberdade.

Por outro lado, há abusos para alugar um imóvel, como o seguro-fiança, que já paguei por não querer incomodar ninguém como fiador. Nosso país ("nosso", aqui, é força de expressão, melhor seria dizer: o país dos Eduardos Cunhas e cia) é muito atrasado na legislação que disciplina isso, o inquilinato. Muito atrasado. A burocracia é aterradora, de dar nos nervos.