Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


domingo, 24 de abril de 2016

cena de filme

Gosto muito quando, num filme, o personagem tem alguma espécie de trégua e fica a contemplar a chuva escorrendo pelos vidros da janela. A cena se converte no mesmo instante em objeto de desejo para mim: quero aquele lugar subjetivo. O problema é que, a chuva vindo, não traz consigo a tranquilidade, ainda que fictícia. Mas eu a prefiro à cena do filme.

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