Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sexta-feira, 5 de junho de 2026

André Dahmer - “Língua braço armado do coração”

por último 

lembrem-se sempre dos que morreram 

buscando a felicidade 

americanos em parques de diversão 

alpinistas no everest e 

empresários cansados de ganhar dinheiro 

em seus helicópteros  

a caminho de angra dos reis 

essa gente não faz mágica 

 

DAHMER, André. Impressão sua: poemas. São Paulo: Companhia das Letras, 2021, p. 105.  

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