Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

noite

Continuo sonhando, incessantemente, noite após noite, coisas boas e desagradáveis, nós de entendimento em meio à areia movediça de signos dispersos. Mas não afundo ou derrapo ― há a cama, há o chão em que vida se firma, o colchão no chão para fugir à rotina. Uma manhã acordo transformada. Já aconteceu antes. 

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