Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 24 de julho de 2012

memória visceral

Às cegas, a mão procura o interruptor de luz da cozinha em outro lugar, até perceber que não está mais na antiga casa.

2 comentários:

Luiz disse...

Há várias qualidades de tempo: e parece que nosso corpo acerta mais o fluxo do tempo "certo" que o próprio tecido da vida. Lindo post! Beijos saudosos.

Mariana disse...

Que bonito o comentário seu. Me fez pensar em quantas qualidades de tempo acabam convivendo no corpo, sutil e imperceptivelmente, quase, entretidas ao tecido da vida. Há muitos mistérios nisso que chamamos corpo. Resolvi prestar uma atenção mais delicada ao meu.

PS. Espero que esteja tudo bem com a tese, esse pilates do corpo intelectual.

Beijo carinhoso.