Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

ricardo piglia: respiração artificial

“Estou convencido de que nunca nos acontece nada que não tenhamos previsto, nada para o que não estejamos preparados. Couberam-nos tempos ruins, como a todos os homens, e é preciso aprender a viver sem ilusões.”

Ricardo Piglia. Respiração artificial. Trad. Heloisa Jahn. São Paulo: Companhia de Bolso, 2010, p.22.

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